Arte Brasilis 2

É a continuidade de ARTE BRASILIS http://artebrasilis.blog.terra.com.br Uma REVISTA ELETRÔNICA de ARTE, CIÊNCIA, FILOSOFIA, EDUCAÇÃO e CULTURA DE PAZ. artebrasilis@hotmail.com - artebrasilis@bol.com.br

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Terra Blog

Categoria: ISTO É BRASIL !

05.02.09

HISTÓRIAS & PARCERIAS COM TOQUINHO

categorias: ISTO É BRASIL !

Programa Sarau (22/11/2008) - GLOBO VÍDEOS

Neste Sarau, um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira. 

Fala de parcerias e histórias do cantor e compositor paulista Toquinho.

(CLIQUE NA IMAGEM E ACESSE A ENTREVISTA)

* * *

 

[ ******** Web site oficial do Toquinho ********** ]

 

DICA DE LEITURA:

T O Q U I N H O

Coleção: NOMES DO BRASIL
Autor: PECCI, JOAO CARLOS (IRMÃO DO CANTOR)
Editora: DUNA DUETO
Assunto: INFANTO-JUVENIS - LITERATURA JUVENIL

Entusiasmo e dedicação fizeram de Toquinho um excelente violonista. Depois, grandes parcerias e uma musicalidade que parece ter nascido com ele despertaram o compositor e o cantor. Conheça a história de Toquinho e algumas de suas canções. E saiba por que ele é um dos músicos preferidos por crianças e adultos.

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  • Postado em 17:54:27

04.02.09

CONTE SUA HISTÓRIA NO MUSEU DA PESSOA

categorias: ISTO É BRASIL !

 

UM MUSEU INTERATIVO E ATUAL... M U S E U    D A    P E S S O A

 

A missão do Museu da Pessoa é contribuir para tornar a história de cada pessoa valorizada pela sociedade.

 

"Visamos um mundo mais justo e democrático baseado na história de pessoas de todos os segmentos da sociedade".

O Museu da Pessoa acredita que:

• Toda história de vida tem valor e deve fazer parte da memória social;
• Ouvir o outro é essencial para respeitá-lo e compreendê-lo como par;
• No protagonismo histórico: todas as pessoas têm um papel como agente de transformação da História. Democratizar e ampliar a participação dos indivíduos na construção da memória social é atuar na percepção que os indivíduos e os grupos têm de si mesmos e de sua situação conseguir em nome de outrem;
• Integrar indivíduos e distintos grupos sociais por meio da produção e conhecimento de suas experiências é atuar para romper o isolamento de alguns grupos sociais e impulsionar processos de empoderamento fundamentais para mudar relações sociais, políticas e econômicas.

 

HISTÓRIA:

 

O Museu da Pessoa foi fundado em São Paulo em 1991. Desde o início, nosso objetivo foi construir uma rede internacional de histórias de vida capaz de contribuir para a mudança social. Apesar de não haver internet, no começo já nos definíamos como um museu virtual – ou seja, um museu para preservação de histórias de vida, organizadas em uma base digital (banco de museus, CD-ROMs, etc.). Nosso objetivo principal era criar um novo espaço onde cada pessoa pudesse ter a oportunidade de preservar sua história de vida e de tornar-se uma das múltiplas vozes da nossa memória social.

 

"Nós acreditávamos – e acreditamos – que a memória social, construída democraticamente, poderia contribuir para criar diferentes perspectivas da nossa sociedade. Uma história de vida é, sem dúvida, uma forma poderosa de entender uma pessoa. Mais do que isso, conhecer – por meio da escuta ou da leitura – um grupo de histórias de vida é uma maneira incrível de expandir nossa visão do mundo, pois elas são peças de informação únicas, que nos mostram como as diferentes pessoas criam suas próprias realidades.

Após 17 anos de atividades, o Museu da Pessoa é hoje formado por quatro núcleos (Brasil, Canadá, Estados Unidos e Portugal). Eles são autônomos, auto-sustentáveis e ligados por uma metodologia e objetivos comuns. O Museu da Pessoa no Brasil foi o primeiro e desde o início trabalhou em busca da sua auto-sustentabilidade. Realizamos em torno de 100 projetos, desde projetos de memória institucional até outros focados em desenvolvimento local e educação. Todos eles usam a metodologia de história oral e além de resultar em um produto, sempre agregam histórias de vida ao nosso acervo virtual".

 

CONTE SUA HISTÓRIA

Iniciado em 2004, o Programa Conte Sua História é responsável pela política de captação de acervo do Museu da Pessoa nos diferentes meios, ampliando e qualificando a coleta de histórias e integrando-as à publicação no portal. O objetivo é que qualquer pessoa tenha oportunidade de contar sua história de vida, por meio da gestão do espaço aberto ao público e de campanhas de captação de histórias no estúdio do Museu, em cabines itinerantes e pela internet. Visa, dessa maneira, articular conteúdos para que mais pessoas e organizações possam preservar sua história.

Além disso, o programa tem como responsabilidade a disponibilização pública de todo o acervo coletado, prioritariamente virtual, mas que deve manter também estrutura de atendimento para consulta ao acervo físico.

Clique aqui para conhecer os projetos desenvolvidos pelo Programa Conte sua História.

 

VEJA UM VÍDEO - DEPOIMENTO DO MUSEU DA PESSOA - CLIQUE NA IMAGEM -

(Zeïla São João )





ENTRE NO SITE E NAVEGUE NAS HISTÓRIAS...   AQUI

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  • Postado em 19:03:50

28.10.08

POR QUE ESSE POVO RI TANTO ?

categorias: ISTO É BRASIL !

Brasil é campeão do otimismo


Reportagem: Edney Silvestre


"Se o brasileiro vai parar de rir? Eu acho que não", diz o historiador Elias Thomé Saliba, da Universidade de São Paulo (USP). Não é profecia. É a previsão de um mestre em humor. Pelo tom divertido da conversa com o historiador, já dá para ter certeza: nós, brasileiros, somos diferentes.

"Por que esse povo ri tanto? Eu cheguei à conclusão de que é importante estudar o humor. Eu acho que o Brasil não e inteligível sem o humor", diz Saliba.

Motivo de festa sempre aparece por aqui. Até dor de cotovelo dá samba. E até o nosso jeito de dançar é diferente, não é, professor?

"O Oscarito balançava a perna, e o pessoal ria. Eu penso em Grande Otelo, Carlitos, Bussunda", continua Saliba.

E foi em busca de brasileiros desconhecidos que o Globo Repórter encontrou o consultor Vital Fernandes. Vital é bem significativo. É apelido?

"É nome mesmo", garante.

E que vitalidade tem esse aposentado pernambucano!

"Acordo às 6h e dou minha caminhada. São oito quilômetros de caminhada firme. Uma hora e dez minutos!", contabiliza.

Como chegamos até ele? Foram os vizinhos, unânimes. Todos gostam dele. Foi Vital quem organizou o time dos meninos e das meninas do condomínio onde mora, na Zona Sul do Rio. Dois casamentos, quatro filhos – dois ainda pequenos. Alegria todo dia.

A gente nasce com o mau humor ou com o bom humor?

"Não sabemos disso com certeza. Nos baseando no fato de que pessoas com parentes de primeiro grau com depressão têm mais chance de ter ou depressão ou a distimia – que é uma depressão mais leve, mais crônica – acho que podemos inferir que as pessoas nascem com tendências a ter um bom humor básico ou um mau humor básico", explica o psiquiatra Geraldo Possendoro, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

"Geralmente, pais alegres têm filhos alegres. Se tem pai taciturno, mãe raivosa, triste, com certeza, a criança vai ser desse jeito também", afirma o médico acupunturista Ysao Yamamura, da Unifesp.

"É importante que mães e pais entendam que a pessoa precisa de carinho quando nasce, de contato físico – e contato de afeto. Afeto é muito importante para que depois o indivíduo não tenha uma hiper-reação ao estresse", alerta Geraldo Possendoro.

Filhos de peixe... Pai e filha hoje brasileiros. A médica acupunturista Márcia Yamamura e o doutor Ysao Yamamura trabalham juntos no Ambulatório de Acupuntura da Unifesp. Ele com agulhas; ela com o kimental.

"'Ki' quer dizer energia em chinês. Kimental quer dizer energia da mente. Rir demais também não é tão bom. O ocidental precisa aprender a ter um pouquinho mais de introspecção, ou seja, buscar dentro de si um ponto de equilíbrio. Já o oriental, que é muito mais introvertido, introspectivo, precisa colocar um pouquinho suas emoções para fora, rir mais", aconselha Márcia Yamamura.

E como manter o bom humor lidando com tanta doença?

"Antigamente eu entrava na fossa. Ficava sensibilizado com a doença do paciente. E ficava também meio 'down', porque aprendemos que devemos curar o doente", diz Ysao Yamamura.

Se o humor tem cura, se o humor dá samba e dá tese de história, também dá pesquisa mundial.

"O brasileiro tem uma característica importante. Quando se pergunta sobre a vida dele, você recebe notas muito altas. Quando se pergunta sobre o país, as notas são baixas. Isso quer dizer que o brasileiro tem uma auto-estima forte, uma atitude individual em relação à vida mais positiva. Uma característica importante do Brasil, em que o país é líder em dois rankings seguidos – 2006 e 2007 – é quanto a felicidade futura. Quando se pede uma nota de zero a dez para a felicidade daqui a cinco anos, o brasileiro é imbatível, campeão do otimismo. É o país da esperança, do futuro", conclui o economista Marcelo Néri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.

 *




> veja vídeo AQUI <

 

GLOBO REPÓRTER 23/05/08

A mímica do sorriso

Nosso cérebro tem uma célula, um neurônio que funciona como um espelho de nossas emoções. Por exemplo: se estamos tristes, esse neurônio espelha essa tristeza, registra e envia para nossa memória. O que acontece, então? Como em um álbum de fotografias, começam a ser retiradas e vão se acumulando, tristeza em cima de tristeza. Mas se temos uma atitude alegre, se praticamos a mímica do sorriso, então, essa é a área do cérebro que é ativada e passamos a perceber tudo de bom que acontece a nossa volta. É o humor dominando nossas vidas. E o humor dominado por nosso treinamento ou por nossa atitude. Você já ouviu falar na mímica do sorriso?

"Existe o indivíduo que fala sorridente. Esse individuo é mais saudável e também tem sobrevida muito maior. Nossa expressão facial é muito importante. Então, para o paciente que está com algum problema, o recurso é pedir para ele ficar sorrindo, mesmo sem motivo. Simplesmente o gesto de sorrir automaticamente vai começar a estimular o centro da alegria, vai perceber coisas alegres que já aconteceram ou que estão acontecendo. O riso é o melhor remédio para a saúde", afirma o médico acupunturista Ysao Yamamura, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

E o que a pessoa tem que fazer quando não consegue se libertar de uma tristeza?

"A pessoa tem que procurar treinar. Se ela está sentindo uma coisa negativa, tem que substituir aquele pensamento. Muito da tristeza e da infelicidade não é na verdade o que está acontecendo, mas o que ela está pensando que está acontecendo. Então, se ela está infeliz, pode perguntar: 'Por quê? Estou infeliz por isso?'. Ela vai procurar substituir aquele pensamento negativo", diz a neurocientista Silvia Helena Cardoso.


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  • Postado em 18:37:04

27.10.08

ARTE COM ALMA BRASILEIRA

categorias: ISTO É BRASIL !

Alma brasileira

Um mundo colorido e vibrante, voltado ao estímulo do prazer. Nas telas, a lição é o abandonar a indiferença

Texto • Vivian Vianna Leal - Bons Fluidos

Identidade

Quando se olha uma obra de Beatriz Milhazes, como a tela Panamericano, apresentada nesta página, é impossível deixar de sentir de cara o impacto causado pelas cores e formas. É o poder da explosão de tintas e tons. A artista plástica, que iniciou sua carreira na década de 1980, no Rio de Janeiro, se inspira na atmosfera carioca e em elementos tipicamente brasileiros para compor seus quadros. Carnaval, natureza, tropicalidade e religiosidade são temas para a artista, aos quais ela nos remete por meio das formas abstratas presentes em suas telas, que parecem irradiar calor e refletir o ambiente em que são produzidas.

Assim Beatriz consegue impressionar tanto quem vê suas composições pela primeira vez, e acaba envolvido com uma alegria vibrante, como os estudiosos, atentos ao processo de criação desenvolvido por ela ao longo dos mais de 20 anos de carreira. Essa artista plástica, que encanta pela exuberância, nunca abandona sua bra silidade. Uma lição fica desse jeito de fazer arte: para algo existir, uma pessoa ou uma obra, é necessário estabelecer um contorno. Definir aquilo que nos pertence.


Transformação

 

Beatriz utiliza em suas pinturas um tipo de colagem com tinta – por meio de moldes de plástico aplicados à tela –, que criam a sensação de camadas. Há cerca de cinco anos, começou a trabalhar também com recortes de papel e embalagens de bombons e balas. A sensibilidade ao combinar transparências e cores passou a incorporar ainda o uso de diferentes texturas e intensidades de brilho, criando telas impactantes.

Assim como faz uso de elementos de fácil identificação na pintura – como flores, ondas, espirais e arabescos –, nas colagens a artista integra materiais produzidos justamente com a finalidade de seduzir, atrair a atenção e comunicar com facilidade. Essa função das embalagens, que acaba passando despercebida no nosso dia-a-dia, é resgatada por Beatriz, porém em forma de arte. Por meio do jogo entre texturas, cores, transparências, brilhos, formas, sobreposições e volumes, ela transforma fragmentos de papéis diversos em algo novo, expressando a beleza com objetos considerados banais, que, sem o espírito da arte, não ganhariam a atenção de nossos olhos. É a vitória do ritmo e da harmonia.




Não preconceito

 

Prazer é um sinônimo de bem-estar. E por que não a arte como um sinônimo de prazer, já que é a própria realização de um ideal de beleza? Nas obras de Beatriz, é assim. Cada uma de suas telas demora de um a dois meses para ficar pronta. Isso porque cada forma e colagem é inserida com rigor meticuloso, com a intenção de constituir um conjunto harmônico. Ela agrupa “pedaços de mundo”, criando uma atmosfera envolvente, com elementos que remetem a diferentes realidades e revelam pensamentos e sentimentos íntimos, mas ao mesmo tempo universais. Uma arte pensada para ser sentida.

Suas espirais, ondas, flores e padrões proporcionam uma experiência prazerosa e mexem com a emoção. Com extrema habilidade, Beatriz surpreende e desperta sensações. Despertar significa fazer sair do estado de torpor ou de inércia, provocar, excitar, estimular e abandonar a indife rença. E abrir caminho para um novo olhar. É a estética a serviço do bem-viver.

As obras Panamericano, O Beijo e Beleza Pura, que ilustram estas páginas, estão em exposição até o dia 30 de novembro na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

 

[link reportagem]

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08.09.08

RECRIAÇÕES DE...SIRON FRANCO...

categorias: ISTO É BRASIL !

 Siron Franco:

Pintor, desenhista e escultor, Siron Franco nasceu em Goiás Velho, GO, em 1947. Passou sua infância e adolescência em Goiânia, tendo sua primeira orientação de pintura com D.J. Oliveira e Cleber Gouveia. Começou a ganhar a vida fazendo e vendendo retratos. A partir de 1965, decidiu concentrar-se no desenho, seguindo os esboços grotescos e irreais que tinha em mente. Entre 1969 e 1971 residiu em São Paulo, freqüentando os ateliês de Bernardo Cid e Walter Levi, em São Paulo e integrando o grupo que fez a exposição Surrealismo e Arte Fantástica, na Galeria Seta.
Após ganhar o prêmio Viagem ao Exterior no Salão de Arte Moderna em 1975, viajou pela Europa entre 1976 e 78. Dono de uma técnica impecável dá uma atmosfera dramática a seus quadros com a utilização de tons escuros, cinza e marron. Com mais de 3.000 peças criadas, além de instalações e interferências, teve sua obra representada em mais de uma centena de coletivas em todo o mundo, incluindo os mais importantes salões e bienais.

Página Oficial: http://www.sironfranco.com/

VÍDEO SOBRE A VIDA E OBRA DO ARTISTA (07'14'') >>> AQUI

 


 

Documentário sobre a vida e obra do artista plástico goiano Siron Franco.

PARTE 1 (9'30'')

PARTE 2 (10'00'')

VEJA TAMBÉM:

Filme rodado no Carandiru em novembro de 2002, pouco antes da demolição, aproveitando parte da instalação "111 portas"de Siron Franco. (5'33'')

Direção: João Luiz de Brito Neto e Cacá Mendes
Narração: Soraya Aguillera 
>>  AQUI

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NOTÍCIA DA ÉPOCA - 20/09/2002 - Edição nº 226 Revista Época

Artista plástico inaugura Centro Cultural no Carandiru

Rení Tognoni, do Globonews.com



 Vista geral da exposição "Portas"

Inferno é a palavra mais repetida pelo artista plástico Siron Franco para descrever a Casa de Detenção no Complexo do Carandiru, que ele conheceu já desativado. No lugar dos presos, Siron encontrou o local abarrotado de ratos vivos e mortos, pombas, sujeira e objetos deixados para trás pelos detentos. E resolveu usar o próprio material do lugar para criar sua nova instalação, 'Portas', que inaugura nesta sexta-feira, a partir das 14h (data da época), um a nova fase do complexo penitenciário, transformado agora em Centro Cultural.

Enquanto Auguste Rodin levou quase 40 anos para esculpir sua obra prima 'As Portas do Inferno' (de 1880 até sua morte 1917), Siron precisou de menos de uma semana para recriar artisticamente as portas do inferno chamado Carandiru. O artista retirou do Pavilhão 2, o mesmo usado por Hector Babenco para as filmagens de 'Carandiru', 111 portas das celas, a maioria marcada por desenhos e frases dos presos e montou, no pátio onde eles tomavam sol, uma espécie de labirinto. O número de portas foi escolhido para lembrar o Massacre do Carandiru que deixou 111 presos mortos em 1992.

Sem intervenção de qualquer natureza sobre as pesadas portas de ferro e concreto - cada qual com dois metros de altura e 200 quilos - Siron expõe o que chama de 'um pedaço da ferida'. Nas portas estão, lado a lado, imagens de Nossa Senhora grávida, Bob Marley fumando maconha, Jesus Cristo, Iemanjá e Osama Bin Laden, além de paisagens, campos, túmulos, frutas e armas pintados por detentos.

- Muitos desenhos têm recados simbólicos. Um duende fumando em cima de um cogumelo significa, por exemplo, que ali ficava um cara viciado em crack. Uma caveira cravada com uma faca significava um assassino de policial. O sagrado e o profano estão juntos nas portas. Vi que mesmo no inferno há espaço para a criação artística - diz Siron. - Ali não caberia a arte de ninguém, só a história deles. Por isso optei pelas portas.

O artista diz ter ficado impressionado no primeiro dia que visitou o Carandiru e a tristeza só piorou, desde então.

- Fiquei assustado ao ver tantos ratos pelo chão, cocô de pomba, sujeira. No outro dia fui de máscara. Fui ficando cada vez mais triste em pensar como uma sociedade pode criar tudo aquilo - diz.

Além da exposição 'Portas', o público também poderá visitar, com monitores, o pavilhão 7, que foi mantido original com celas e espaços que serviram aos presos. A entrada é gratuita.

- Vai lotar de gente, porque todos têm curiosidade de ver o local. Ex-detentos e carcereiros também ficaram curiosos. Depois de tanto tempo vivendo no mesmo lugar, até o inferno é capaz de provocar saudade - diz Siron.

O Complexo do Carandiru foi totalmente desativado no fim de semana passado e os presos foram transferidos para unidades no interior de São Paulo. Três pavilhões do Carandiru serão implodidos nos próximos dias. Os outros quatro que sobram serão usados como Centro Cultural - que terá exposições e oficinas de arte -, um centro de apoio ao terceiro setor (ONGs), um centro de inclusão digital e até uma Faculdade de Tecnologia (Fatec).

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  • Postado em 20:11:41