| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | ||||||
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 |
| 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 |
| 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 |
| 23 | 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 |
| 30 | 31 |

Rubem Alves. Sobre moluscos, conchas e beleza.
Folha de S. Paulo, 31 de março de 2002.
Desde que o objetivo da educação é permitir que vivamos melhor, nossas escolas deveriam tomar a natureza como mestra
Voltamos ao mundo dos moluscos, que fez Piaget pensar sobre os homens... Deles a primeira coisa que vi foram as conchas. Eu vi, simplesmente, sem nada saber sobre suas origens. Ignorava que existissem moluscos. Não sabia que elas, as conchas, tinham sido feitas para ser casas daqueles animais de corpo mole que, sem elas, seriam devorados pelos predadores. Meus olhos apenas viram. Viram e se espantaram.
O espanto -os gregos sabiam que é no espanto que o pensamento começa. O espanto vem quando um objeto se coloca diante de nós como um enigma a ser decifrado: " Decifra-me ou te devoro! ". Conchas são objetos espantosos. Foi um espanto estético. Foi a beleza que exigiu que eu as decifrasse. Conchas são objetos assombrosos, construídos segundo rigorosas relações matemáticas. Os moluscos eram também artistas, arquitetos. Suas casas tinham de ser belas. Será que a natureza tem uma alma de artista? Coisa estranha essa, com certeza alucinação de poeta, imaginar que a natureza seja a casa de um artista! Não para Bachelard, que não se envergonhava em falar sobre "imaginação da matéria".
Haverá uma analogia entre a natureza e o espírito humano? Serão os homens apenas a natureza tomando consciência de si? Antes que a "Pietá" existisse como escultura, existiu como realidade virtual na alma de Michelângelo. Antes que as conchas existissem como objetos assombrosos, elas existiam como realidades virtuais na "alma" dos moluscos...
Pensei que a vida não produz apenas objetos úteis, ferramentas adequadas à sobrevivência. A vida não deseja apenas sobreviver, ela não se satisfaz com a utilidade. Ela constrói os seus objetos segundo as normas da beleza. A vida deseja alegria. Assim acontece conosco: precisamos sobreviver e, para isso, cultivamos repolhos, nabos e batatas e estabelecemos a ciência do cultivo de repolhos, nabos e batatas. Esse é um dos sentidos da ciência: receitas para construir ferramentas para a sobrevivência. Mas, por razões que se encontram além das razões científicas, talvez por obra do artista invisível que mora em nós, gastamos nosso tempo e nossas forças na produção de coisas inúteis, tais como violetas, orquídeas e rosas, coisas que não servem para nada e só dão trabalho...
Nosso corpo não se alimenta só de pão. Ele tem fome de beleza. Creio que Jesus Cristo não se importaria e até mesmo sorriria se eu fizesse uma paráfrase da sua resposta ao diabo, que o tentava com a solução prática: "Não só de repolhos, nabos e batatas viverá o homem, mas também de violetas, orquídeas e rosas...".
Uma menina perguntou a Mário Quintana se era verdade que os machados públicos iriam cortar um maravilhoso pé de figueira que havia numa praça. Isso o levou de volta aos seus tempos de menino. No quintal de sua casa havia uma paineira enorme, que, quando florescia, era uma glória. Até que um dia foi posta abaixo simplesmente "porque prejudicava o desenvolvimento das árvores frutíferas. Ora, as árvores frutíferas! Bem sabes, meninazinha, que os nossos olhos também precisam de alimento...".
Penso que, desde que o objetivo da educação é permitir que vivamos melhor, nossas escolas deveriam tomar a natureza como sua mestra. Assim, já que tanto falam em Piaget, imaginei que poderiam adotar as conchas como símbolos, afinal de contas, foi no estudo dos moluscos que o seu pensamento sobre educação se iniciou. E quando indagados por pais e alunos sobre as razões de serem as conchas os símbolos da escola, os professores teriam uma ocasião para lhes dar a primeira aula de filosofia da educação: O objetivo da educação é ensinar as novas gerações a construir casas. É preciso que as casas sejam sólidas, por causa da sobrevivência. Para isso as escolas ensinam a ciência. Mas não basta que nossas casas sejam sólidas, é preciso que sejam belas. A vida deseja alegria. Para isso as escolas ensinam as artes.
Hume, ao final do seu livro "Investigação sobre o Entendimento Humano", propõe duas perguntas -somente duas-, que, se feitas, produziriam uma assepsia geral do conhecimento. De forma semelhante, e inspirado pela sabedoria dos moluscos e suas conchas, quero propor duas perguntas sobre tudo o que se ensina nas escolas. Primeira: isso que estou ensinando é uma ferramenta? Tem um uso prático? Aumenta o poder do aluno sobre o mundo que o cerca? De que forma ele pode usar isso que estou ensinando como ferramenta para construir a sua concha, a sua "casa"? Segunda: isso que estou ensinando contribui para que o meu aluno se torne mais sensível à beleza? Educa a sua sensibilidade? Aumenta suas possibilidades de alegria e de espanto?
Concluo com as palavras de Hume: se a resposta for negativa, então "que seja lançado ao fogo", porque nada tem a ver com a sabedoria da vida. Não passa de tolice e perda de tempo...
Rubem Alves, educador, psicanalista e escritor, é professor emérito da Unicamp, autor de "A Escola Com Que Sempre Sonhei Sem Imaginar Que Pudesse Existir" (Papirus), entre outros. www.rubemalves.com.br
CREIA EM RESPOSTAS...
QUANDO NADA OU NINGUÉM
SE DISPUSER A COMPADECER
DE TUAS INQUIETAÇÕES,
A COMPATILHAR TEUS PENSAMENTOS..
ABRA SIMPLESMENTE A PÁGINA DE UM LIVRO E LEIA.
PROVAVELMENTE A RESPOSTA ESTARÁ LÁ, EM ALGUM LUGAR...
NO MOMENTO CERTO E NA HORA CERTA DE SER LIDA,
AMENIZANDO ALGUM DRAMA INTERIOR À ESPERA DE SOLUÇÕES.
EMBORA A VIDA POSSA PARECER APRESSADA DEMAIS
OU DESATENTA DEMAIS PARA AS PEQUENAS COISAS,
É EM DETALHES E SUTILEZAS QUE
AS GRANDES QUESTÕES SE RESOLVEM
...
A MINHA FRASE DE HOJE FOI:
...

...
EDIÇÃO ARTEBRASILIS

Sobreviventes do 11/9 ainda tentam retomar a vida
(...) Em um dia quente de verão, ela usava atraentes sandálias de salto alto, calças brancas e uma blusa azul de manga longa, deixando expostos apenas seus pés e mãos. Boa parte de sua pele guarda diversas cicatrizes. "São as minhas tatuagens," ela disse com um sorriso triste, como se fossem uma lembrança permanente de uma juventude despreocupada. Só que no seu caso, salientou, elas não podem ser apagadas "com laser".
Em 11 de setembro de 2001, Manning - recém-casada, mãe de um menino de 10 meses e no auge de sua carreira em Wall Street - foi atingida por uma bola de fogo quando passava pelo saguão do World Trade Center.
Num dia em que os hospitais da cidade de Nova York aguardavam em vão uma avalanche de vítimas que, em sua maioria, acabaram morrendo no momento do desmoronamento das Torres Gêmeas ou perdidas no holocausto de cinzas, Manning estava entre os poucos, em geral esquecidos, que se feriram gravemente, mas sobreviveram.
Diante das 3.000 mortes, foi fácil deixar de prestar atenção na relativa minoria da qual fazia parte Manning, que sofreu queimaduras em 80% de seu corpo, passou semanas à beira da morte e meses internada no hospital New York-Presbyterian.
Embora o pior ataque terrorista aos EUA já esteja se apagando de muitas memórias às vésperas de seu sétimo aniversário de luto, para essas vítimas, ele continua sendo uma realidade rotineira, estando gravado na sua aparência, sua constante dor e na consciência de que são profundamente sortudas e inexoravelmente desgraçadas.
Manning, 47 anos, cuja história veio a público sob forma de um best-seller baseado em e-mails que seu marido Greg enviava à família e amigos, agora retorna a uma vida mais parecida com sua antiga. Mas ainda existem muitas coisas que ela não consegue fazer.
Ela não pode levar para passear sua cadela terrier, Caleigh, que pesa apenas 13kg, mas "puxa muito," nem cozinhar uma refeição elaborada, pois qualquer corte em sua pele cicatrizada poderia causar uma infecção. Ela também não pode aplicar glitter nem prender os ganchos dos enfeites durante as atividades de recreação natalina da primeira série, em que estuda seu filho.
"Graças às pessoas com quem convivo, consigo levar uma vida que, à primeira vista e sob muitos aspectos, parece mais normal do que de fato é," Manning disse recentemente. "Meu marido, ele tem sido as minhas mãos."
Uma longa jornada
Não há um cálculo exato de quantas pessoas foram seriamente feridas no dia do ataque. Dos US$ 7 bilhões distribuídos pelo Fundo de Compensação às Vítimas de 11 de Setembro, do governo federal, US$ 6 bilhões foram destinados a famílias de vítimas fatais do World Trade Center, do Pentágono e do avião que caiu na Pensilvânia
O US$1 bilhão restante foi para os feridos. A maioria deles eram bombeiros e a maior parte dos pagamentos foi para as vítimas de doenças respiratórias. Para as vítimas de queimaduras, foram destinados 40 dos 2.680 pagamentos a feridos. Dezoito pessoas com queimaduras de maior gravidade foram levadas para o hospital New York-Presbyterian. Doze delas sobreviveram.
Alguns, como Manning e Harry Waizer, ambos funcionários da Cantor Fitzgerald, recuperaram o senso de equilíbrio. Para outros, como Elaine Duch, que era assistente administrativa sênior do departamento imobiliário da comissão de transportes de Nova York e Nova Jersey, a vida antes e depois do ataque tem uma demarcação clara.
Duch, 56 anos, se afastou dos velhos amigos, em parte porque, como ela afirmou, "nunca mais serei a Elaine que costumava ser." De seus amigos atuais, Duch disse, "bom, veja só, eles não me conheciam antes, eles só me conhecem como a pessoa que se feriu."
Hoje em dia, ela vai até a costa de Nova Jersey com sua irmã gêmea e uma mulher que a viu no noticiário e lhe enviou cartões e cartas todos os dias durante os cinco meses em que passou na reabilitação.
Ela não pode mais dirigir porque suas mãos são muito fracas e ela se assusta com facilidade. Ela evita zíperes, botões pequenos e não abre caixas de cereal. Ela sofre no verão e no inverno porque sua pele queimada não tolera calor nem frio.
"Me sentia jovem quando tudo aconteceu e agora me sinto velha," Duch disse. "Sinto como se minha vida no passado tivesse sido outra."
Como não pode mais trabalhar, é como se sua alma profissional continuasse assombrando os andares da Torre Norte, onde ela estava quando as chamas atingiram o prédio; ela conseguiu descer, apenas para receber os últimos sacramentos de um padre assim que saiu do edifício. "Ainda estou presa no 88º andar," ela disse. "Lá é meu escritório."
Seus dias são preenchidos basicamente pela fisioterapia e psicoterapia. Duch agora pinta, segundo ela, numa busca por sua beleza interior. Ela vendeu sua casa e comprou um apartamento em Bayonne, Nova Jersey. Ela tingiu seu cabelo loiro de preto.
"Fico feliz em comemorar cada aniversário," Duch disse. "Nunca, mas nunca mesmo, voltarei a ser a Elaine que era, mas eu poderia ter morrido aos 49."
Diferente de Duch, Waizer, voltou a trabalhar como advogado fiscal na nova matriz da Cantor Fitzgerald em Manhattan. Devido aos seus ferimentos, ele reduziu o ritmo e as responsabilidades; ele não é mais o chefe do departamento fiscal, no entanto, afirmou, nunca ligou muito para títulos.
"Quando você fica no hospital o tempo que fiquei e depois em casa por mais um longo período, você pensa sobre o que quer fazer com a sua vida," disse Waizer, 57 anos, que passou cerca de dois anos e meio se recuperando de queimaduras antes de voltar para o trabalho. "Percebi depois que, embora ainda me fizesse essa pergunta, e como muitas pessoas, ela permanecerá comigo, gostava do que fazia."
Em testemunho à Comissão do 11/09 no seu primeiro dia de audiência em 2003, Waizer contou que, ao subir até seu escritório no 104º andar, sentiu uma explosão e o elevador começou a despencar. Waizer sofreu queimaduras enquanto vencia as chamas, chegou ao 78º andar e desceu até o térreo pelas escadas, vendo horror e compaixão nos rostos daqueles que o deixavam passar.
Ele tinha 5% de chance de sobreviver. Fora a dor nas costas, as cicatrizes e os danos nos nervos, Waizer recuperou o senso de normalidade física e, com um humor gentil, diferencia sua recuperação da de Manning dizendo, "nunca fui tão bonito quanto ela."
Talvez o vestígio mais notável de seus ferimentos seja sua voz suave e sussurrada, possivelmente decorrente da inalação do combustível do avião, que o deixou com "um pouco de paralisia nas cordas vocais."
Waizer vive em Edgemont, no condado de Westchester, Nova York, e tem três filhos, de 17, 19 e 20 anos. Ele disse que a experiência de 11/09 fortaleceu os laços com sua esposa, Karen, e ampliou seu senso moral. " Para mim, é mais importante ser uma boa pessoa," Waizer disse.
Após os pesadelos
Love, Greg & Lauren (Com Amor, Greg & Lauren) é uma narrativa dos três meses seguintes aos ataques terroristas, sob o ponto de vista do marido de Lauren Manning. Greg Manning, que na época era vice-presidente sênior da Euro Brokers, na Torre Sul - mas que estava em casa com o bebê naquela manhã - mandava e-mails diários aos amigos, descrevendo seus esforços para se conectar com a esposa em coma por meio de música, poesia e beisebol.
O diário íntimo também detalha os momentos críticos da recuperação de Lauren Manning após voltar à consciência - suas primeiras palavras foram "Oi, Greg,", dia 12 de novembro - e lentamente entender o que havia acontecido.
O relato termina em meados de dezembro de 2001, quando Lauren Manning deixou o hospital para um centro de reabilitação. O casal concordou em falar sobre suas vidas desde então, dando seqüência ao diário, mas pediram que o encontro acontecesse na sede da Random House, a editora do livro, ao invés de sua casa. (...)
MATÉRIA COMPLETA : The New York Times FOTOS

O Que Você Realmente Quer para Seus Filhos ? - WAYNE W. DYER
***
Embora saibamos o que queremos para nossos filhos - felicidade, segurança, sucesso - às vezes esquecemos de oferecer o essencial, para que eles se transformem em adultos bem sucedidos e ajustados.
Um livro didático, com questões certeiras.
Embora se enquadre na categoria de auto-ajuda e psicologia do desenvolvimento, é um livro que fala do afeto nas relações.
Com franqueza, cria condições de transformação interior.
Recomendo para pais de primeira viagem...
E para aqueles que já caminharam...e talvez precisem relembrar - ou resgatar - estes laços fortes entre pais e filhos.
*
TRECHO FINAL DO LIVRO, ONDE O AUTOR EXPRESSA, NUMA CARTA IMAGINÁRIA, AS PALAVRAS DE UM FILHO PARA UM PAI...
.
"CADA DIA DA MINHA VIDA LEMBRO-ME DAS LIÇÕES FENOMENAIS QUE VOCÊ ME DEU COM SEUS EXEMPLOS..."
.
"VOCÊ FOI A LUZ BRILHANTE QUE ME DEU OPORTUNIDADE DE CINTILAR SOZINHO "
.

imagem acima: OLHAR DIGITAL ARTEBRASILIS
(reprodução permitida para fins educativos, citando-se fonte e autoria)

(DESENHO: BOB PAI, BOB FILHO)
____________________________________________________________
Wayne Walter Dyer
Dr. Wayne Walter Dyer (Detroit, Michigan, 10 de maio de 1940) é um autor estadounidense de livros de auto-ajuda.
Sua obra Your Erroneous Zones, de 1976, inspirado na psicologia humanista de Abraham Maslow, já vendeu mais de 30 milhões de cópias e é um dos livros mais vendidos de todos os tempos. É dito que ele "trouxe idéias humanísticas para as massas".
Dyer é psicoterapeuta e tem doutorado na área de educação pela Wayne State University, sendo associado do curso de doutorado da St. Jonh’s University, em Nova York. É autor e co-autor de diversos livros, colabora com alguns periódicos e é conferencista reconhecido nos Estados Unidos da América. Por isso é muito requisitado em entrevistas e programas de televisão e rádio.
Algumas obras publicadas em português:
Seus Pontos Fracos
A Força Invisível
Peça E Será Atendido
A Força Da Intenção
O Céu É O Limite
Chega De Tristeza
Crer Para Ver
Muitos Mestres
Os 10 Segredos Para O Sucesso E A Paz Interior
Não Se Deixe Manipular Pelos Outros
Para Todo Problema Há Uma Solução
Pensamentos De Sabedoria
O Que Você Realmente Quer Para Seus Filhos
Realize Seu Destino
Sabedoria Para Todos Os Dias
Seu Eu Sagrado
A Verdadeira Magia
Vida Em Equilíbrio

SUPER-DICA:
ÁUDIO - TEXTO DE WAYNE W. DYER
Escucha tu música interior
(EM ESPANHOL)
[ PARTE 1 ] 6'59''
[ PARTE 2 ] 6'40''
O que Gil deixará
4 de Agosto de 2008 - Redação do:

[link]
Com Gilberto Gil, o ministério da Cultura começou a existir. Criada em 1985, a pasta, antes integrada à Educação, foi sempre uma espécie de patinho feio do governo. Para a sociedade, era uma entidade sem rosto e sem nome. Com Gil, escolhido no primeiro mandato do presidente Lula, a contragosto de petistas que haviam idealizado o programa cultural, essa história começou a mudar. Mudou a ponto de, cinco anos e meio depois, sua saída virar manchete.
Gil anunciou que deixaria o posto duas ou três vezes. Queria dedicar-se exclusivamente à carreira artística. Mas, a cada vez que falava com o presidente, voltava atrás. Agora, vai mesmo. É fato também que, neste ano (e isso até as paredes do MinC sabem), quem tocou o Ministério foi Juca Ferreira, secretário-executivo e braço direito de Gil desde o primeiro dia. Seria ele, inclusive, o substituto natural do ministro. Resta ver se as peças políticas permitirão que o tabuleiro se mexa assim.
Para fazer um balanço dessa gestão é possível seguir dois caminhos. Um, o dos detalhes, comportaria uma série de críticas a procedimentos administrativos (a burocracia da pasta deixa de cabelos em pé os produtores culturais), precipitação na divulgação de projetos ainda crus e idéias difusas que não encontraram lugar no mundo real.
O segundo caminho para o balanço é olhar, historicamente, para o papel que Gil e sua equipe exerceram. E esse caminho me parece, neste primeiro momento, o mais adequado. É ele que deve indicar o perfil de seu sucessor e o status que o governo Lula quer dar à cultura.
Para usar um termo que os integrantes de sua equipe, vira e mexe, tiram da cartola, é de “protagonismo” que se trata. O novo MinC não aceitou a miudeza a que esteve sempre relegado. Não conseguiu, até hoje, o orçamento necessário, apesar de tê-lo feito crescer. Segue cutucando as áreas econômicas do governo com o pedido. Simbolicamente, para o País, isso significa dizer que a cultura é, também, uma questão de Estado. E não tem mesmo de ser?
O MinC também chamou para si áreas que outros ministérios queriam, como a tevê pública, a questão dos direitos autorais e, até, o destino da verba de patrocínio das empresas estatais. Foram brigas compradas. Em algumas delas, Gil recebeu arranhões de amigos antigos, como Caetano Veloso. Não raro, a pasta foi acusada de autoritarismo.
A atenção dada a manifestações marginais (de folclore a capoeira), que tanto irrita os bem instalados, gerou produtos, de vídeos a cds, que ajudam a construir a memória do Brasil. São ações pequenas, pouco visíveis, mas significativas num país em que a lógica da concentração de renda se espraia. A gestão de Gil foi, nesse sentido, ideológica.
Ainda nas grandes questões, o que não se cumpriu foi a desde sempre prometida mudança na Lei Rouanet, o principal mecanismo de incentivo fiscal à cultura. Para isso, Gil não teve força. Recuou várias vezes. Com sua saída, deve ser tornar ainda mais difícil mexer nesse pote cheio de donos.
Neste momento, mais do que apontar as falhas do MinC (que, por sinal, está com pilhas de projetos à espera de parecer e tem feito produtores perderem patrocínio), seria importante pensar sobre o papel empreendedor de Gil. Sobre a ousadia de tratar a cultura como algo fundamental para o desenvolvimento do País.
Aquele Abraco, Gilberto Gil
O Rio de Janeiro
Continua lindo
O Rio de Janeiro
Continua sendo
O Rio de Janeiro
Fevereiro e março...
Alô, alô, Realengo
Aquele Abraço!
Alô torcida do Flamengo
Aquele abraço!...(2x)
Chacrinha continua
Balançando a pança
E buzinando a moça
E comandando a massa
E continua dando
As ordens no terreiro...
Alô, alô, seu Chacrinha
Velho guerreiro
Alô, alô, Terezinha
Rio de Janeiro
Alô, alô, seu Chacrinha
Velho palhaço
Alô, alô, Terezinha
Aquele Abraço!...
Alô moça da favela
Aquele Abraço!
Todo mundo da Portela
Aquele Abraço!
Todo mês de fevereiro
Aquele passo!
Alô Banda de Ipanema
Aquele Abraço!...
Meu caminho pelo mundo
Eu mesmo traço
A Bahia já me deu
Régua e compasso
Quem sabe de mim sou eu
Aquele Abraço!
Prá você que meu esqueceu
Ruuummm!
Aquele Abraço!
Alô Rio de Janeiro
Aquele Abraço!
Todo o povo brasileiro
Aquele Abraço!...
O Rio de Janeiro
Continua lindo
O Rio de Janeiro
Continua sendo
O Rio de Janeiro
Fevereiro e março...
Alô, alô, Realengo
Aquele Abraço!
Alô torcida do Flamengo
Aquele Abraço!...(2x)
Chacrinha continua
Balançando a pança
E buzinando a moça
E comandando a massa
E continua dando
As ordens no terreiro...
Alô, alô, seu Chacrinha
Velho guerreiro
Alô, alô, Terezinha
Rio de Janeiro
Alô, alô, seu Chacrinha
Velho palhaço
Alô, alô, Terezinha
Aquele Abraço!...
Alô moça da favela
Aquele Abraço!
Todo mundo da Portela
Aquele Abraço!
Todo mês de fevereiro
Aquele passo!
Alô Banda de Ipanema
Aquele Abraço!...
Meu caminho pelo mundo
Eu mesmo traço
A Bahia já me deu
Graças a Deus!
Régua e compasso
Quem sabe de mim sou eu
É claro!
Aquele Abraço!
Prá você que meu esqueceu
Ruuummm!
Aquele Abraço!
Alô Rio de Janeiro
Aquele Abraço!
Todo o povo brasileiro
Aquele Abraço!...
Todo mês de fevereiro
Aquele Abraço!
Alô moça da favela
Aquele Abraço!
Todo mundo da Portela
E do Salgueiro e da Mangueira
E todo Rio de Janeiro
E todo mês de fevereiro
E todo povo brasileiro
Ah! Aquele Abraço!...
________________________
LINK RELACIONADO:
ARTEBRASILIS VÍDEOS & IMAGENS
"A SEDE DE CULTURA CONTINUA" 07/08/08
=> A Q U I <=