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REVISTA CULTURA CRÍTICA - REVISTA CULTURAL SEMESTRAL DA APROPUC-SP (>>>)
EDIÇÃO N° 01 - 1° SEMESTRE/2005 Dossiê João Cabral
JOÃO CABRAL ou a educação pela poesia
Morte e vida severina quando o Capibaribe desaguou no Tuca
Ricardo Melani
Morte e vida severina é uma peça-poema de João Cabral de Melo Neto que trata da trajetória de Severino, um retirante que migra do sertão nordestino para Recife, passando pelo Rio Capibaribe. Em sua caminhada à procura de melhor sorte, Severino observa as condições de miséria, de sofrimento e de resignação das pessoas que moram em vilarejos e povoados da região semi-árida do Brasil. Em cada parada, ele se depara com a morte.
A vida severina é a vida de muitos brasileiros, segundo palavras do próprio personagem:
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida [...]
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia [...]
Severina é um adjetivo que foi criado por João Cabral para retratar a vida difícil de muitos nordestinos. Essa poesia não é, no entanto, apenas um retrato das dificuldades e em especial da morte presente em todos os rincões visitados pelo personagem. Ela é também uma exaltação da vida. Em sua última parada, Severino presencia o nascimento de um menino que resiste à negação da existência e simboliza a possibilidade de superação de todas as dificuldades:
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.
O poema Morte e vida severina foi publicado pela primeira vez em 1956, mas atingiu reconhecimento público em 1965, com a montagem da peça homônima, que foi encenada no auditório da PUC de São Paulo. Foi nesse momento que a história de Severino, a do Rio Cabiparibe e a do Tuca se imbricaram.
Na década de 1960, o envolvimento com manifestações culturais marcou o movimento estudantil. Buscava-se o desenvolvimento de uma cultura nacional e popular. Foi nesse contexto que a União Nacional dos Estudantes (UNE) criou os Centros Populares de Cultura (CPCs), que tinham no teatro uma forma privilegiada de manifestação artística. Por meios estéticos, o teatro permitia que a reflexão política ultrapassasse os muros da universidade e se dirigisse às classes populares. Por isso, os temas das peças encenadas na época tinham relação com os problemas da realidade brasileira. (...)
Para ler o texto integral clique >>> AQUI
Ricardo Melani é da Faculdade de Educação da PUC-SP
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Matéria sobre a adaptação do poema dramático Morte e Vida Severina, veiculada no programa Em Foco, da TV Mundo Maior.
Apresentação e edição, Caio Fochetto, texto e reportagem, Erika Silveira, Imagens, Euclides José. (ano 2006)
( CLIQUE NA IMAGEM ABAIXO - VÍDEO DE 6'14'' )

Cultura digital: uma ameaça?
4 de Dezembro de 2008 - Erlon José Paschoal - link matéria www.culturaemercado.com.br
A todo momento ouvimos ou lemos que os suportes tradicionais estão com os dias contados: o jornal, o livro e o CD estariam marcados para morrer, em função da velocidade da produção industrial atual e das práticas inovadoras que se tornaram uma imposição do mercado. Em função disso somos forçados pelas circunstâncias a consumir cada vez mais produtos novos que superam os anteriores em qualidade, praticidade e design.
As novas tecnologias on line vão possibilitando a todo cidadão do mundo o acesso a informações e conhecimentos antes inimagináveis. Os suportes virtuais, de um lado, e os materiais inspirados pela nanotecnologia, de outro, vão substituindo muito rapidamente os anteriores e ampliando as formas de aquisição e fruição de filmes, notícias, músicas, obras artísticas e literárias. São mudanças relativas à produção e à comercialização, que acarretam transformações comportamentais, aumentando muitas vezes a distância entre as gerações.
Mas realmente faz algum sentido temer essa terrível ameaça da cultura digital? Muitos se assustam ao pensar no projeto do Google, que está engajado em tornar todas as informações do mundo disponíveis no ciberespaço, inclusive os livros. Para outros, o melhor é não pensar demasiado a respeito e seguir adiante com o seu processo criativo. Afinal, haverá sempre nesse mundo espaço para tudo e todos.
Nesse sentido vale destacar uma rede de lojas na Alemanha especializada em eletro-eletrônicos e produtos musicais, a Saturn. Fiquei surpreso ao constatar num dos andares uma parede inteira expondo longplays, que muitos já supunham extintos e encontráveis apenas em lojas alternativas. Pude constatar que o público interessado naqueles espécimes raros não eram apenas dinossauros cabeludos e fora de moda, mas muitos jovens em busca de uma qualidade musical não mais acessível, segundo eles, nos MP3, nos CDs, nos celulares ou na internet.
O próprio capitalismo se reestrutura visando a nichos de consumo, sobretudo no tocante ao entretenimento e ao produto artístico. Sem esquecer que as desigualdades sociais e econômicas pressupõem a convivência simultânea de diferentes épocas e, portanto, o consumo de diferentes produtos. Basta nos sentarmos em qualquer bar ao ar livre no Brasil, por exemplo, para sermos assediados por inúmeros vendedores de CDs. Ou seja, esse suporte continua sendo consumido por milhares de pessoas; mudaram somente os proprietários e os detentores dos lucros.
Mesmo mudando os meios, os suportes, muitas questões se mantêm as mesmas: se escrevo um blog ao invés de um livro, continuo precisando de leitores; se divulgo no Youtube uma canção, um filme ou outra obra qualquer, ao invés de utilizar um suporte tradicional, necessito de espectadores/internautas. As relações entre a obra e o seu público ainda são regidas pela mesma lógica e pelas mesmas necessidades. Mudaram apenas as circunstâncias, os desafios continuam os mesmos.
Participe desta idéia !!!
D I V U L G U E !!!
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Por um Natal sem armas de brinquedo
" Nas vésperas do Natal, milhões de pais em todo o mundo correm às lojas para comprar brinquedos, a fim de presentear seus filhos na principal data do cristianismo.
Muitas vezes, a garotada recebe dos seus familiares armas de brinquedo. Ao longo de 2003, vários países desencadearam campanhas de recolhimentos de armas de brinquedo, acreditando-se que tais artefatos podem estimular futuras reações violentas dos jovens, e também que participam do aumento dos índices de criminalidade .
O impacto que esses brinquedos podem trazer para a formação infanto-juvenil gera algumas controvérsias. Se por um lado há os que defendem que a arma de brinquedo estimula a agressividade natural da criança, por outro existem os que alegam que tais artefatos podem provocar estímulos violentos.
A psicóloga Heloiza Tinoco, orientadora educacional que trabalha há 25 anos com estudantes do Ensino Médio, acredita que além das armas de brinquedo, os programas de televisão violentos podem provocar atos violentos. “Não se pode dizer que as crianças que brincam com revólveres de brinquedo serão bandidos no futuro. Fatores como o ambiente familiar e a formação escolar são cruciais para o processo educativo, mas acredito que outros brinquedos possam ter participação mais efetiva na formação do jovem”.
Coordenador da ONG Educadores da Paz, o padre Marcelo Guimarães explica que o ato de brincar é a linguagem pela qual a criança entende, aprende e interage com o mundo. Segundo ele, é por meio do brinquedo e do ato de brincar que as crianças aprendem a se relacionar consigo mesma, com os outros e com o mundo.
“Não é que a criança que brinca com brinquedos de guerra necessariamente será mais violenta que as outras - definitivamente a violência não é um problema simples -, mas as crianças que não brincam de guerra terão outras possibilidades de simbolizar o mundo, através da descoberta de formas não-violentas”, explica o religioso, doutor em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Marcelo faz um apelo aos pais de todo o mundo que presentearão os filhos ou outras crianças no Natal, lembrando que no dia 27 de novembro foi celebrado o Dia Internacional contra os Brinquedos de Guerra. “Para os adultos que oferecem os brinquedos, dar ou não dar brinquedos de guerra revela-se como uma oportunidade de simbolizar o mundo que desejam que seus filhos e descendentes cresçam. "
FONTE: DESARME.ORG [ LINK ]
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Veja mais AQUI ( ARTE BRASILIS PELA NÃO-VIOLÊNCIA ! )
Um mestre, dois mundos
As dificuldades enfrentadas por professores de colégios particulares que também dão aula na rede pública
Por Fabio Brisolla10.09.2008 - VEJA SÃO PAULO - link
Mario Rodrigues

Débora da Costa, do Nossa Senhora das Graças e da Escola Municipal Jardim Novo Horizonte Azul: "Às vezes, prefiro não acionar os pais da escola pública para evitar que a criança apanhe"
No centro da sala de aula, a professora Débora da Costa organiza seus alunos em círculo. São 34 crianças com 5 anos, em média, na turma pré-escolar da Escola Municipal de Educação Infantil Jardim Novo Horizonte Azul, no Jardim Ângela. Ela pede silêncio e direciona um olhar de reprovação aos que continuam falando. A tarefa do dia é escrever uma mensagem dirigida a meninos e meninas da mesma idade do Colégio Nossa Senhora das Graças, no Itaim. Enquanto alguns relatam detalhes sobre a rotina em classe, contam sobre o almoço e sugerem um encontro no futuro, a professora anota as idéias num papel. Débora é a responsável pela entrega da carta. Após a aula na periferia, ela assume o posto de professora assistente na escola do Itaim. Sua idéia é que as crianças passem a se corresponder com freqüência. Na cidade de São Paulo, 103000 professores trabalham com 2,3 milhões de alunos distribuídos em 2440 escolas públicas municipais e estaduais. Outros 40000 atendem 650000 estudantes em 3200 instituições particulares. Débora figura nas duas listas. Faz parte de um grupo acostumado a transitar por realidades distintas na área da educação.
Onde quer que Débora esteja, segue o mesmo roteiro. Antes de iniciar a leitura, por exemplo, recita um poema. Alguns alunos observam concentrados, outros olham para o teto ou cochicham com o colega ao lado. "Apesar de agitadas, as crianças nessa idade são muito interessadas", afirma a professora. "Tudo para elas é novidade." Com a garotada ela aprendeu muitas lições. A mais óbvia foi perceber que, em determinadas situações, teria de agir de forma diferenciada em cada escola. Certa vez, convocou a mãe de um aluno bagunceiro para relatar os problemas que estava tendo. No dia seguinte, soube que o menino de 9 anos havia levado uma surra em casa por causa da queixa. "Às vezes, prefiro não acionar os pais para evitar que a criança apanhe", conta.
Mario Rodrigues

Inês Gonçalves, do Bandeirantes e da Escola Estadual Alarico Silveira: "Por trás de um bom aluno há sempre um pai atento e preocupado"
Na prática, a presença de um professor capacitado parece não ser suficiente para garantir o aprendizado. Além das notórias carências na infra-estrutura da rede pública, o contexto familiar é um fator decisivo na evolução de uma criança ou de um adolescente. "Nos colégios privados, quando os alunos têm dificuldades os pais contratam professores particulares ou psicólogos", comenta Laís Carvalho, professora do Colégio Móbile, em Moema, e da Escola Municipal Parque Terra Nova II, no município de São Bernardo do Campo. Na rede pública isso é mais raro. Outra diferença é a expectativa em relação ao estudo. "Uma das minhas alunas, de 10 anos, precisa limpar a casa todos os dias porque a mãe trabalha fora", diz Laís. "Não tem tempo de fazer as lições."
O dia-a-dia dos estudantes é bem diferente. No Móbile, por exemplo, entre os 56 alunos das duas turmas da 4ª série, apenas um volta sozinho para casa. Já entre os 34 alunos da Terra Nova, doze voltam desacompanhados. "Eles são mais independentes", conta Laís. Diante do professor, essa postura pode resultar em confronto. Inácio Guimarães dá aulas de matemática para uma turma de 3º ano na Escola Estadual Professor João Baptista de Brito, no município de Osasco. Trabalha há 22 anos na rede estadual e ainda enfrenta dificuldades para controlar seus alunos. "Eles saem sem avisar, falam ao celular e escutam música dentro da sala." Por duas aulas semanais, recebe 150 reais por mês. Em seu outro emprego, no Colégio Palmares, em Pinheiros, o salário por 32 aulas semanais chega a 6000 reais por mês. Mesmo assim, ele prefere seguir no ensino público por estar prestes a se aposentar.
Heudes Regis

Laís Carvalho, do Móbile e da Escola Municipal de Educação Básica Parque Terra Nova II: "Dos 56 alunos do colégio particular, apenas um volta para casa sozinho. No público, são doze entre 34"
Inês Gonçalves também tem esse plano. Ela ganha 5000 reais no Colégio Bandeirantes, no Paraíso, por 26 aulas semanais. Pela mesma carga horária, recebe 1200 reais na Escola Estadual Alarico Silveira, na Barra Funda. Ela leciona para alunos de 2º e 3º anos do ensino médio. "É um grupo heterogêneo", afirma Inês. "Alguns querem apenas cumprir uma etapa para arrumar emprego." Entre os que decidem estudar, ela identifica a mesma razão do sucesso constatada em alunos da rede privada: "Por trás de um bom aluno existe sempre um pai atento e preocupado".
Inês Gonçalves também tem esse plano. Ela ganha 5000 reais no Colégio Bandeirantes, no Paraíso, por 26 aulas semanais. Pela mesma carga horária, recebe 1200 reais na Escola Estadual Alarico Silveira, na Barra Funda. Ela leciona para alunos de 2º e 3º anos do ensino médio. "É um grupo heterogêneo", afirma Inês. "Alguns querem apenas cumprir uma etapa para arrumar emprego." Entre os que decidem estudar, ela identifica a mesma razão do sucesso constatada em alunos da rede privada: "Por trás de um bom aluno existe sempre um pai atento e preocupado".
ENQUANTO AS PROMESSAS ELEITOREIRAS ADENTRAM NOSSO COTIDIANO, MESMO À NOSSA REVELIA...
AÇÕES VOLUNTÁRIAS E EDUCATIVAS PROLIFERAM, NUMA VERDADEIRA MANIFESTAÇÃO DE CULTURA ESPONTÂNEA.
EM DESTAQUE, A INICIATIVA DO AMIGO JOSÉ ROIG, PELA DISTRIBUIÇÃO DE JORNAL GRATUITO COM MATÉRIAS INTERESSANTES, ATRAVÉS DE UM MAILING-LIST.
PARA INSCRIÇÃO, BASTA SOLICITAR PELO CONTATO INDICADO.
PARABÉNS PELA AÇÃO, A SER RETRANSMITIDA.
(EDIÇÃO DO ARTEBRASILIS)
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Jornal Letra Viva, que pode ser repassado livremente. Atualmente na edição 47, referente aos meses de julho/agosto 2008.
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AUTOR: José Antonio Klaes Roig
Especialista em TICs na Promoção da Aprendizagem (UFRGS/RS-2007).
Assinatura gratuita: klaesroig@yahoo.com.br