Arte Brasilis 2

É a continuidade de ARTE BRASILIS http://artebrasilis.blog.terra.com.br Uma REVISTA ELETRÔNICA de ARTE, CIÊNCIA, FILOSOFIA, EDUCAÇÃO e CULTURA DE PAZ. artebrasilis@hotmail.com - artebrasilis@bol.com.br

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Categoria: PAPO DE SEXTA-FEIRA

06.02.09

SÃO PAULO 33 GRAUS !

NESTA SEXTA,

SÃO PAULO FERVE NO TRÂNSITO E NA TEMPERATURA !

ESTA E OUTRAS CAPTURAS DO

OLHAR DIGITAL "ARTE BRASILIS"

 PODERÃO SER VISTAS EM TAMANHO MAIOR.

BASTA VISITAR O BLOG

ARTE BRASILIS VÍDEOS & IMAGENS.

(CLIQUE NA IMAGEM)

 

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  • Postado em 18:37:24

16.01.09

QUANDO EU ERA CRIANÇA...

Portinari - Meninos Soltando Pipas -1947

 

< < < Quando eu era crianca, no século passado, os alimentos não tinham prazo de validade. Ou cheiravam bem ou estavam estragados.
Comia-se de tudo. Muito doce, pão com manteiga, bolo de chocolate. Leite, era leite de vaca mesmo, não essa coisa aguada de hoje. Era uma bebida encorpada, cheia de gordura, que vinha em garrafas de vidro, com uma tampinha de alumínio. Ninguém falava em colesterol.
Bebia-se água da torneira e durante o verão, na praia, até se engolia um pouco de água do mar. Ninguém falava em poluição, coliformes fecais, essas coisas. Não existia protetor solar. O buraco da camada de ozônio ainda não havia nascido, ou era pequeno. Raios ultra-violeta a gente só conhecia das experiências de laboratório nas aulas de ciências.
Os carros não tinham cinto de segurança. Nem esses encostos de cabeça em cima dos bancos. Esse negócio de air bag, eu vou ser bem sincero, nunca vi. E não conheço ninguém que tenha visto. Desconfio até que tudo não passa de história das montadoras, só pra aumentarem o preço dos automóveis.
Não existia video game. Jogava-se botão, víspora, dominó, batalha naval. Os jogos usavam pedrinhas, feijões, palitinhos, saquinhos de arroz... Para alguns brinquedos, como bambolê, iô iô, pião e bolinha de gude, era preciso desenvolver certas habilidades especiais. Brincava-se de pular corda, amarelinha, esconde-esconde, peteca... Tudo na calçada.
Não havia perigo. Ninguém vivia em condominios com grades, guaritas e segurancas. Porteiro eletrônico a gente só conhecia dos filmes de ficção científica.
Além de um carrinho de rolamento, feito com umas sobras de madeira da oficina do meu avô, eu tinha uma bicicleta Monark, aro 20, pneu balão, sem freio. No garfo de trás, coloquei um pedaço de papelão preso por um prendedor de roupa, de forma que ele ficava batendo nos aros da roda. Aquele trac trac barulhento aumentava conforme a velocidade da bicicleta e, na minha imaginacão de garoto, soava como o ronco do motor do Aston Martin de James Bond. Sim, o agente 007 interpretado por Sean Connery ainda jovem, era o nosso ídolo. Além dos Beatles e do Topo Giggio.
Todo dia, depois de fazer os deveres de casa, eu ia pra rua jogar bola com os amigos. Isso mesmo, jogava-se bola no meio da rua. Cada vez que aparecia um carro, alguém gritava e o jogo ficava congelado. Que nem Mandrake. As goleiras eram marcadas por 2 tijolos ou um par de sandálias Havaianas, que a gente chamava de chinelo de dedo. Com camisa pra um lado, sem camisa pro outro, o sol por testemunha e lateral só quando a bola sumia.
Quando havia vento, soltava-se pipa, que a gente mesmo fazia aproveitando lascas de bambu, papel celofane, barbante e goma arábica. E uns pedaços de pano velho pra rabiola.
Ouvi falar de algumas brincadeiras mais pesadas, como quebrar vidraças e jogar ovo podre nas paredes do vizinhos. Juro que não fui eu. Sempre fui um bom escoteiro. Ah sim, e coisas ainda mais cruéis, como jogar sal pra desmanchar as lesmas ou tocar álcool com fogo nos maranduvás. Cá entre nós, bem feito! Esses bichos cabeludos queimavam todo mundo.
O aparelho mais próximo do celular, de que me lembro, era o telefone de lata. Duas latinhas de ervilhas, vazias, amarradas nas pontas de um cordão esticado. A gente ficava ali sentado no meio fio, conversando “à distância” com os amigos. Ainda não tinham inventado o MSN.
Quando eu ficava doente, me davam um xarope de mel, guaco e agrião. No dia seguinte já acordava curado. Se a doença era mais grave, tinha que botar cataplasma ou tomar óleo de rícino, um negócio tão horroroso, mas tão horroroso, que usavam até pra misturar na gasolina das lambretas.
Foi então nessa época, pra nossa alegria, que apareceu o Biotônico Fontoura. Um fortificante gostoso que era distribuido de brinde nas escolas, em garrafinhas miniaturas. Foi meu primeiro porre. Negociei com alguns colegas e troquei umas figurinhas do álbum da Copa de 62, por 3 frascos de Biotônico e tomei no gargalo. Cheguei em casa passando mal. Minha mãe não sabia o que fazer. Vó Ramona apareceu aos gritos:
- Dá Magnésia Bisurada pra esse guri!!!
- Não, mamãe, acho que vou dar Óleo de Fígado de Bacalhau.
Só de ouvir o nome dos remédios, comecei a vomitar. Foi a minha salvação.
Enfim, como todo guri que se preza, fiz um monte de besteiras, passei alguns apertos, mas consegui chegar com saúde até os dias de hoje. Não escovei os dentes direitos, pensei muita coisa feia, mexi com terra e comi de tudo sem lavar as mãos.
Experimentei várias drogas e sobrevivi. A mais perigosa foi o chiclete de bola.
Bebi muita água da torneira e não morri por causa disso.
Ou será que já morri e não me dei conta? > > >

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Kledir Ramil - compositor e cronista -  escreve para o fórum de Luciano Pires >>> AQUI

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  • Postado em 16:59:22

10.10.08

DIVIRTA-SE - OU CHORE - COM AS PÉROLAS...

                   

  PÉROLAS DO ÚLTIMO ENEM - EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO   


'O sero mano tem uma missão...'
(A minha, por exemplo, é ter que ler isso!)

'O Euninho já provocou secas e enchentes calamitosas..'
(Levei uns minutos para identificar o El Niño...)

'O problema ainda é maior se tratando da camada Diozanio!'
(Eu não sabia que a camada tinha esse nome bonito)

'Enquanto isso os Zoutros... tudo baixo nive...'
(Seja sempre você mesmo!!)

'A situação tende a piorar: o madereiros da Amazônia destroem a Mata Atlântica da região.'
(E além de tudo, viajam pra caramba, hein?)

'O que é de interesse coletivo de todos nem sempre interessa a ninguém individualmente.'
(Entendeu ...?)

'Não preserve apenas o meio ambiente e sim todo ele.'
(Faz sentido)

'O grande problema do Rio Amazonas é a pesca dos peixes'
(Achei que fosse a pesca dos pássaros.)

'É um problema de muita gravidez.'
(Com certeza...se seu pai usasse camisinha, não leríamos isso!)

'A AIDS é transmitida pelo mosquito AIDES EGIPSIO.'
(Sem comentário)

'Já está muito de difíciu de achar os pandas na Amazônia'
(Que pena. Também ursos e elefantes sumiram de lá)

'A natureza brasileira tem 500 anos e já esta quase se acabando'
(Foi trazida nas caravelas, certo ?)

'O cerumano no mesmo tempo que constrói, também destroi, pois nos temos que nos unir para realizarmos parcerias juntos.'
(Não conte comigo)

'Na verdade, nem todo desmatamento é tão ruim. Por exemplo, o do Aeds Egipte seria um bom beneficácio para o Brasil'
(Vamos trocar as fumaças pelas moto-serras)

'Vamos mostrar que somos semelhantemente iguais uns aos outros'
(Com algumas diferenças básicas!!)

'... menos desmatamentos, mais florestas arborizadas.'
(Concordo! De florestas não arborizadas, basta o Saara!)

'... provocando assim a desolamento de grandes expecies raras.'
(Vocês não sabiam que os animais têm depressão?)

'Nesta terra ensi plantando tudo dá.'
(Isto deve ser o português arcaico que Caminha escrevia...)

'Isso tudo é devido ao raios ultra-violentos que recebemos todo dia.'
(Meu Deus... Haja pára-raio!)

'Tudo isso colaborou com a estinção do micro-leão dourado.'
(Quem teria sido o fabricante? Compaq ? Apple? IBM?)

'Imaginem a bandeira do Brasil. O azul representa o céu , o verde representa as matas, e o amarelo o ouro. O ouro já foi roubado e as matas estão quase se indo. No dia em que roubarem nosso céu, ficaremos sem bandeira..'
(Caraca! Ainda bem que temos aquela faixinha onde está escrito 'Ordem e Progresso'.)

'Ultimamente não se fala em outro assunto anonser sobre os araras azuls que ficam sob voando as matas.'
(Talvez por terem complexo de urubus!)

'... são formados pelas bacias esferográficas.'
(Imaginem as bacias da BIC)

'Eu concordo em gênero e número igual.'
(Eu discordo!)


'Precisa-se começar uma reciclagem mental dos humanos, fazer uma verdadeira lavagem celebral em relação ao desmatamento, poluição e depredação de si próprio.'
(Putz, que droga é essa?)

'O serigueiro tira borracha das árvores, mas não nunca derrubam as seringas.
(Esse deve ter tomado uma na veia)

'A concentização é um fato esperansoso para todo território mundial..'
(Haja coração!)

'Vamos deixar de sermos egoistas e pensarmos um pouco mais em nos mesmos.'
(Que maravilha!)

_________________________________________________

PÉROLAS DO ENEM TORNOU-SE UM "CLÁSSICO"  DE CIRCULAÇÃO NACIONAL

ESTA RELAÇÃO FOI ENVIADA POR ANA - COM COMENTÁRIOS DE PROFESSORES...

  • criado por  arte.brasilis criado por arte.brasilis
  • Postado em 19:33:02

19.09.08

NÃO TENHAS NADA NAS MÃOS.FERNANDO PESSOA

 

Não tenhas nada nas mãos - Fernando Pessoa

_________________________________________________________

Ouça: [ 56kb ] - necessário Windows Media
(Interpretação livre de Antônio Abujamra)
 

Copie e cole:

mms://videos.tvcultura.com.br/provocacoes-videos/371-poesia-fernandopessoa.wma


Não tenhas nada nas mãos nem uma memória na alma,
que quando te puserem nas mãos o óbolo último,
ao abrirem-te as mãos nada te cairá.

Que trono te querem dar que atroposto não tire?
Que louros que não fanem nos arbítrios de minos?
Que horas que te não tornem da estatura da sombra.

Que serás quando fores
na noite e ao fim da estrada.
Colhe as flores mas larga-as,
das mãos mal as olhaste.

Senta-te ao sol.

Abdica e
sê rei de ti próprio.

_________________________________________________________
Sobre o autor:
Fernando Pessoa (1888 - 1935) nasceu em Lisboa/Portugal.
É considerado um dos mais importantes poetas modernistas.
Criou heterônimos famosos como Alberto Caieiro, Ricardo Reis e Álvaro Campos.


Poesia apresentada no programa PROVOCAÇÕES (TV CULTURA) Nº 371

2008: 120 ANOS DO NASCIMENTO DE FERNANDO PESSOA.


Os poemas e os textos lidos em "Provocações” são, às vezes, livre adaptação do original, por Antônio Abujamra ou Gregório Bacic. O formato em que se apresentam escritos aqui é apropriado para a leitura em TV e não o seu formato original.

>>> TODOS OS TEXTOS E POESIAS DO PROGRAMA >>> AQUI

  • criado por  arte.brasilis criado por arte.brasilis
  • Postado em 18:15:35

22.08.08

DISCUTIR O MOLHO ANTES DO FRANGO...

                   

O Ermitão sonhando com uma linda casa !!!!    [ LINK IMAGEM AQUI ]

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Primeiro viver, depois filosofar

(Primum vivere, deinde philosophare)



Luiz Marins


Conheço pessoas e mesmo empresas que têm uma enorme capacidade para desenvolver novas idéias e projetos, mas que não conseguem transformar essas idéias em ação. Elas ficam meses e até anos pensando, reformulando o pensamento, aperfeiçoando o projeto, mas não conseguem transformar essas idéias em ação e essa ação em resultados.

Conheço empresas que têm um excelente departamento de pesquisa e desenvolvimento de novos produtos que nunca são lançados no mercado. Elas não acreditam na própria capacidade de transformar essas idéias maravilhosas em produtos reais no mercado. Às vezes chego a pensar que elas têm medo do mercado e se escondem desenvolvendo “novos produtos” num laboratório.

O filósofo inglês Thomas Hobbes em seu livro O Leviatã (1651) registrou a frase latina - Primum vivere, deinde philosophare - Primeiro viver, depois filosofar. Essa frase tem o mesmo sentido da famosa inscrição do barco grego - Navegar é preciso, viver não é preciso. O que ela quer dizer é que para viver é preciso primeiro pescar e para pescar é preciso navegar. Assim, numa redução simplista, o que é preciso é navegar. Se eu não navegar, não vivo, pois que não terei do que viver e o que comer.

Há ainda um velho ditado português que diz: Tenhamos a pata; então falaremos da salsa, ou seja, primeiro vamos conseguir o pato ou o frango, depois vamos conversar sobre o molho. Tem gente que gasta horas discutindo o molho sem a menor perspectiva de conseguir o frango.

Não estou querendo dizer que filosofar, pensar, cismar, questionar não seja importante. Para que caminhemos com o devido entusiasmo é preciso que saibamos onde desejamos chegar. O que quero ressaltar, no entanto, é que não basta o saber. É preciso agir. E agir com os pés na realidade.

Conheço pessoas e empresas com sonhos mirabolantes de sucesso. Conheço empresas e pessoas que passaram a vida sonhando em realizar grandes negócios, enormes projetos, grandes empresas, mas que ficaram no sonho, na filosofia. Nunca desceram à realidade concreta do mundo real. São pessoas maravilhosas. Empresas que têm todas as condições de crescer, mas que ficam distantes das coisas simples e concretas que fazem, de fato, o sucesso ocorrer.

Assim, é preciso que nunca nos esqueçamos que é preciso primeiro viver, trabalhar, conseguir os recursos para então filosofar, isto é, pensar nas coisas menos concretas e de maior conteúdo abstrato.

Vejo esposas desesperadas ao verem seus maridos desempregados há meses e escolhendo o emprego dos sonhos, o lugar ideal para trabalhar. Nenhum lugar é bom demais que mereça seu trabalho. Enquanto isso falta o pão, o leite, o feijão, o arroz e o uniforme das crianças... Primum vivere, deinde philosophare!

E você como é? E sua empresa?

Faça um retrospecto de todos os projetos e sonhos que já teve e que nunca foram realizados por falta de uma visão mais empreendedora da vida. Faça um bom exame de consciência e veja se você também não está discutindo o molho antes de conseguir o frango. Pense nisso. Sucesso.


www.anthropos.com.br

 

                                      

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  • Postado em 17:17:20