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Vendo Vozes: Uma Viagem ao Mundo dos Surdos 
Oliver Sacks - Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Numa fascinante incursão pelo universo dos surdos, Oliver Sacks procura responder a questões como essas. Sua preocupação não é simplesmente apresentar ao leitor a condição daqueles que não conseguem ouvir. Acompanhando a história, os dramas e as lutas dessas pessoas, o leitor será levado a olhar para o seu próprio cotidiano de um modo inteiramente novo. Será capaz de ouvir, nos sons da linguagem, um pequeno milagre que se repete cada vez que uma nova sentença é proferida.
Descrição da editora
Oliver Sacks não se limita a divulgar resultados da ciência para o grande público. O sucesso de seus livros deve-se em grande parte ao enfoque surpreendente que ele consegue dar à sua especialidade, a neurologia. O que ele busca não é apenas descrever enfermidades raras ou estranhas, mas, acima de tudo, extrair ensinamentos que iluminem aquilo que há de mais comum, de mais cotidiano na vida de todos nós. É exatamente isso que surpreende o leitor de Vendo vozes, livro originalmente publicado nos Estados Unidos em 1989. Ao contar a história dos surdos, o que Sacks está se perguntando o tempo todo é se a educação dada a eles deve visar sua integração na sociedade ou privilegiar a formação de uma identidade própria ? uma pergunta que poderíamos fazer, quase nos mesmos termos, a respeito de toda e qualquer minoria socialmente discriminada. A mesma pergunta é retomada, de um outro ângulo, quando o autor descreve o movimento grevista que culminou com a deposição de uma reitora da Universidade Gallaudet, especializada em surdos. Quando fala da linguagem de sinais, Sacks consegue mostrar a centralidade que a linguagem tem em nossas vidas e todo o mistério que existe em sua eclosão súbita numa criança, seja ela surda ou não. Usando a mesma perspectiva que fez o sucesso de seus outros livros, Oliver Sacks olha para o surdo como um bom antropólogo olharia para um povo indígena. Não se trata simplesmente de fazer com que o estranho se torne familiar. Acima de tudo, seus livros nos fazem perceber como podem ser absolutamente espantosos alguns fenômenos que, de tão comuns, correríamos o risco de nem chegar a perceber.
O. SACKS
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Momentos do corpo: corpo e movimento [1]
Vania Ramos*
O corpo é o nosso primeiro encontro com a velhice, é aquele que mostra a expressão flagrante dos anos vividos; nele encontramos as marcas da vida, as marcas vividas e as não vividas. Como se lida com a vida? Como vivemos envelhecemos, ou podemos dar um salto quântico? Reescrever a nossa história de outro jeito, com um outro olhar?
A tendência do homem moderno é reprimir a sua expressividade corporal e emocional, criando, com isso, formas estereotipadas de comportamento corporal levando a passagem do corpo dentro de dois universos, o corpo saúde, e o corpo doença.
Negamo-nos a aceitar paradigmas que se apóiam na separação entre homem e mundo, sujeito e objeto, corpo e espírito, saúde e doença, e que definem o ser sob uma perspectiva biomecânica, behaviorista ou cibernética.
Corpo movimento
O corpo transforma-se no decorrer da vida por meio das experiências. A partir do corpo e do nosso contato com o mundo em uma determinada situação, estruturamos e reestruturamos nossa percepção e nossa interpretação do mundo e agimos nele, transformando-o ao mesmo tempo em que transformamos a nós mesmos.
Em cada idade o movimento toma características profundamente significativas, como processo maturativo e, portanto, como enriquecimento específico do indivíduo com o ambiente. Cada nova aquisição influencia as anteriores, tanto no domínio mental quanto no motor, de modo a valorizar as relações com o meio, através de uma adaptabilidade a diferentes circunstâncias, provenientes de uma alteração do conteúdo significante das situações vividas e experimentadas.
O movimento humano não resulta da interação de estímulos isolados, mas das situações concretas que o determinam, ocupando grande parte das manifestações da história biopsicossocial do indivíduo. Não esquecendo que a vida, como campo de experiências adquiridas, constitui uma sucessão ininterrupta de atitudes corporais e de movimentos expressivos e representativos.
O indivíduo, quando está em movimento, não é um espectador desinteressado, mas o agente representativo do seu ser, o que exige a compreensão psicológica a partir de uma consciência vivida e refletida, tendo assim um comportamento significativo, intencional e consciente, e não um puro processo corporal; assim, todo o seu aparato neuropsíquico funcional está em prontidão e manutenção.
A vida do homem é o seu próprio movimento, e este tem que possuir um caráter de significação e de intencionalidade, de forma a conferir à ação um todo organizado em si, portanto, de significado e dirigido globalmente para um fim. Não há uma “participação muscular”, existe, sim, uma interação constante e permanente entre as funções motoras e psíquicas.
Segundo Wallon (1985), “as variações tônicas localizadas ou generalizadas dão origem a atitudes ou tendências e estados ou posturas motoras e mentais, a vida emotiva e afetiva varia de acordo com as modificações do tônus muscular e atitudes. A vida psíquica demonstra sempre acomodações simultâneas, motora e mental, sendo constante a presença das atitudes de preparação, direção e manutenção das atividades”.
O registro corporal é, sem dúvida, aquele que fornece as características da pessoa de idade avançada: cabelos brancos ou calvície, rugas, enrijecimento, compressão da coluna vertebral, etc. Numa perspectiva fisiológica, tudo depende da idade biológica. Porém, a integridade das artérias, um coração gasto, pulmões congestionados não podem ser sinônimos de definição de uma pessoa idosa. Independente da idade biológica, qualquer indivíduo está sujeito a apresentar os problemas acima expostos.
A imagem que se tem hoje sobre a velhice é ainda muito pessimista. A idéia de decadência física, psíquica e social vem sempre associada à pessoa que envelhece, determinando uma fase de perdas que se sobrepõe aos ganhos, como sabedoria e experiência.
Esta imagem da velhice, construída socialmente, foi calcada em valores e conceitos estigmatizados, evidenciando-se os aspectos negativos dessa etapa da vida. A inatividade e a doença são alguns dos traços que caracterizam o “ser velho” no imaginário das pessoas, na sociedade atual.
Como reflete Beauvoir (1990): “eu conservo, do passado, os mecanismos que se mostraram no seu corpo, os instrumentos culturais de que me sirvo, meu saber e minhas ignorâncias, minhas relações com outrem, minhas ocupações, minhas obrigações”.
O corpo, enquanto movimento, é a apresentação da existência e da forma de ser do homem; este homem que é o seu corpo, que o reinventa através das suas experiências psicomotoras. Através da relação que o idoso estabelece com o seu corpo e seu movimento é que ele constrói a sua forma de percepção do mundo.
O processo de conscientização dos idosos em relação ao envelhecimento de seus corpos, através do movimento corporal, tem diferentes significados, que podem diferir de idoso para idoso, e que estão fortemente relacionados à esfera existencial, (social, afetiva).
Como você encara a sua velhice?
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As rugas do rosto são inscrições deixadas pelas grandes paixões, pelos vícios, e pelas instituições.
Walter Benjamin
*Vânia Ramos - Psicomotricista; Psicopedagoga; Professora de Educação Física e Artística, mestre em Gerontologia e doutoranda em ciências Sociais pela PUC-SP.Professora e coordenadora do curso de pós-graduação em Psicomotricidade da UNIFAI e professora da Universidade aberta da Terceira Idade da PUC/SP E-mail: vaniaramos@uol.com.br
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[1] Fragmento do texto publicado na revista Kairos n.1, 2001.