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Pão de Açúcar reformula Projeto Caras do Brasil
Gazeta Mercantil - São Paulo, 12 de Maio de 2008 - link
Foi nos anos 60, na Europa e nos Estados Unidos, que nasceu o conceito de comércio justo (fair trade). A idéia revolucionária propunha a venda de produtos dentro de padrões internacionais de respeito ao meio ambiente, com o objetivo de promover a inclusão social e econômica de comunidades menos favorecidas. (...) Ainda são poucas as iniciativas que ultrapassem os projetos de organizações não-governamentais (Ongs). Isso porque as empresas de comércio tradicional ainda têm dificuldade para tentar adaptar seu negócio à esse tipo de negociação, de modo a manter uma atividade econômica viável.
O Grupo Pão de Açúcar é a única grande varejista nacional a manter, desde 2003, um projeto voltado ao comércio justo, o Caras do Brasil. A ação visa incentivar a produção e comercialização de mercadorias que tenham em sua base de produção o desenvolvimento sustentável, ou seja, que contribuam para a geração de riquezas das comunidades e que permitam a sua fixação em seus locais de origem, promovendo o desenvolvimento econômico e a inclusão social.
O projeto cresceu lentamente, esbarrando em dificuldades, especialmente a formação de fornecedores. Hoje são 68 parceiros, contra 25 em 2003, que comercializam cerca de 300 produtos, sendo 75% de não-alimentos, para atender a demanda de 38 lojas do grupo. A varejista promete, no entanto, ampliar essas cifras.
Segundo Paulo Pompilho, diretor de responsabilidade sócio-ambiental do grupo, o projeto está passando por uma reformulação que vai desde uma mudança na estratégia de divulgação até a ampliação da oferta de produtos. "Estamos trabalhando na capacitação de fornecedores", explica o executivo. Aliás, um dos objetivos da rede é conseguir transformar os parceiros do Caras do Brasil, em sua maioria micro organizações, Ongs e artesãos, em fornecedores regulares.
A meta ainda é utópica, mas a rede já trabalha com formas bem diferenciadas de inserção para integrar as comunidades ao mundo dos negócios. O prazo de pagamento pelos produtos, por exemplo, é de apenas 15 dias. Já o prazo normal para recebimento de um fornecedor do grupo Pão de Açúcar é de, em média, 40 dias.
"Também temos estrutura de logística e recebimentos de mercadorias diferenciadas", afirma. Até mesmo porque, com o modo de produção artesanal, não é possível manter um cronograma de compra. "Não forçamos a produção", garante Pompilho.
Para ser um parceiro do Caras do Brasil, o fornecedor passa por um rigoroso controle em que são avaliados políticas de inclusão social, geração de renda e respeito ao meio ambiente, além de o repúdio ao trabalho infantil e às práticas discriminatórias. Entre seus parceiros mais antigos estão os índios do Xingu com o fornecimento de mel.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 4) (Regiane de Oliveira)

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