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É a continuidade de ARTE BRASILIS http://artebrasilis.blog.terra.com.br Uma REVISTA ELETRÔNICA de ARTE, CIÊNCIA, FILOSOFIA, EDUCAÇÃO e CULTURA DE PAZ. artebrasilis@hotmail.com - artebrasilis@bol.com.br

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Arquivo de: Novembro 2008, 17

17.11.08

A VIDA DUPLA DOS PROFESSORES

categorias: EDUCAÇÃO EM REDE

Um mestre, dois mundos

As dificuldades enfrentadas por professores de colégios particulares que também dão aula na rede pública


Por Fabio Brisolla10.09.2008 - VEJA SÃO PAULO -
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Mario Rodrigues

Débora da Costa, do Nossa Senhora das Graças e da Escola Municipal Jardim Novo Horizonte Azul: "Às vezes, prefiro não acionar os pais da escola pública para evitar que a criança apanhe"

 

No centro da sala de aula, a professora Débora da Costa organiza seus alunos em círculo. São 34 crianças com 5 anos, em média, na turma pré-escolar da Escola Municipal de Educação Infantil Jardim Novo Horizonte Azul, no Jardim Ângela. Ela pede silêncio e direciona um olhar de reprovação aos que continuam falando. A tarefa do dia é escrever uma mensagem dirigida a meninos e meninas da mesma idade do Colégio Nossa Senhora das Graças, no Itaim. Enquanto alguns relatam detalhes sobre a rotina em classe, contam sobre o almoço e sugerem um encontro no futuro, a professora anota as idéias num papel. Débora é a responsável pela entrega da carta. Após a aula na periferia, ela assume o posto de professora assistente na escola do Itaim. Sua idéia é que as crianças passem a se corresponder com freqüência. Na cidade de São Paulo, 103000 professores trabalham com 2,3 milhões de alunos distribuídos em 2440 escolas públicas municipais e estaduais. Outros 40000 atendem 650000 estudantes em 3200 instituições particulares. Débora figura nas duas listas. Faz parte de um grupo acostumado a transitar por realidades distintas na área da educação.

Onde quer que Débora esteja, segue o mesmo roteiro. Antes de iniciar a leitura, por exemplo, recita um poema. Alguns alunos observam concentrados, outros olham para o teto ou cochicham com o colega ao lado. "Apesar de agitadas, as crianças nessa idade são muito interessadas", afirma a professora. "Tudo para elas é novidade." Com a garotada ela aprendeu muitas lições. A mais óbvia foi perceber que, em determinadas situações, teria de agir de forma diferenciada em cada escola. Certa vez, convocou a mãe de um aluno bagunceiro para relatar os problemas que estava tendo. No dia seguinte, soube que o menino de 9 anos havia levado uma surra em casa por causa da queixa. "Às vezes, prefiro não acionar os pais para evitar que a criança apanhe", conta.

Mario Rodrigues

Inês Gonçalves, do Bandeirantes e da Escola Estadual Alarico Silveira: "Por trás de um bom aluno há sempre um pai atento e preocupado"

 

Na prática, a presença de um professor capacitado parece não ser suficiente para garantir o aprendizado. Além das notórias carências na infra-estrutura da rede pública, o contexto familiar é um fator decisivo na evolução de uma criança ou de um adolescente. "Nos colégios privados, quando os alunos têm dificuldades os pais contratam professores particulares ou psicólogos", comenta Laís Carvalho, professora do Colégio Móbile, em Moema, e da Escola Municipal Parque Terra Nova II, no município de São Bernardo do Campo. Na rede pública isso é mais raro. Outra diferença é a expectativa em relação ao estudo. "Uma das minhas alunas, de 10 anos, precisa limpar a casa todos os dias porque a mãe trabalha fora", diz Laís. "Não tem tempo de fazer as lições."

O dia-a-dia dos estudantes é bem diferente. No Móbile, por exemplo, entre os 56 alunos das duas turmas da 4ª série, apenas um volta sozinho para casa. Já entre os 34 alunos da Terra Nova, doze voltam desacompanhados. "Eles são mais independentes", conta Laís. Diante do professor, essa postura pode resultar em confronto. Inácio Guimarães dá aulas de matemática para uma turma de 3º ano na Escola Estadual Professor João Baptista de Brito, no município de Osasco. Trabalha há 22 anos na rede estadual e ainda enfrenta dificuldades para controlar seus alunos. "Eles saem sem avisar, falam ao celular e escutam música dentro da sala." Por duas aulas semanais, recebe 150 reais por mês. Em seu outro emprego, no Colégio Palmares, em Pinheiros, o salário por 32 aulas semanais chega a 6000 reais por mês. Mesmo assim, ele prefere seguir no ensino público por estar prestes a se aposentar.

Heudes Regis

 

Laís Carvalho, do Móbile e da Escola Municipal de Educação Básica Parque Terra Nova II: "Dos 56 alunos do colégio particular, apenas um volta para casa sozinho. No público, são doze entre 34"

 

Inês Gonçalves também tem esse plano. Ela ganha 5000 reais no Colégio Bandeirantes, no Paraíso, por 26 aulas semanais. Pela mesma carga horária, recebe 1200 reais na Escola Estadual Alarico Silveira, na Barra Funda. Ela leciona para alunos de 2º e 3º anos do ensino médio. "É um grupo heterogêneo", afirma Inês. "Alguns querem apenas cumprir uma etapa para arrumar emprego." Entre os que decidem estudar, ela identifica a mesma razão do sucesso constatada em alunos da rede privada: "Por trás de um bom aluno existe sempre um pai atento e preocupado".

Inês Gonçalves também tem esse plano. Ela ganha 5000 reais no Colégio Bandeirantes, no Paraíso, por 26 aulas semanais. Pela mesma carga horária, recebe 1200 reais na Escola Estadual Alarico Silveira, na Barra Funda. Ela leciona para alunos de 2º e 3º anos do ensino médio. "É um grupo heterogêneo", afirma Inês. "Alguns querem apenas cumprir uma etapa para arrumar emprego." Entre os que decidem estudar, ela identifica a mesma razão do sucesso constatada em alunos da rede privada: "Por trás de um bom aluno existe sempre um pai atento e preocupado".

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16.11.08

POESIA, RAZÃO DE VIVER...

categorias: CAMINHOS

Portadora de doença degenerativa (Esclerose Lateral Amiotrófica) que leva à atrofia dos músculos lança livro escrito com o movimento dos olhos

Reportagem: Redação Sentidos - 12/11/2008 - { link }



Leide Moreira: Quando escrevo poesias sinto que estou viva


A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta para existência de cerca de 6.000 doenças raras no mundo. Uma delas é a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença degenerativa - sem cura - que leva à atrofia dos músculos, preservando apenas a cognição e o movimento dos olhos. De acordo com a Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica (ABrELA) no mundo há dois casos de portadores da doença para cada 100 mil habitantes. No Brasil aparecem, anualmente, 2.500 novos casos.

Questões que envolvem a patologia foram discutidas no 19º Simpósio Internacional de Esclerose Lateral Amiotrófica e Doença do Neurônio Motor realizado entre os dias 3 e 5 de novembro em Birmingham, na Inglaterra. A ABrELA, que atende pacientes com esclerose lateral amiotrófica e sua família, cuidadores, profissionais da área da saúde que desejam obter mais informações sobre ELA, participou do simpósio com o objetivo de captar informações atualizadas sobre pesquisas e tratamentos.

Apesar da doença limitar os movimentos de quem a tem, em muitas pessoas, ela não preserva apenas o raciocínio, a visão, a audição, o tato e o paladar, mas também a vontade de viver, que muitas vezes, torna-se ainda mais intensa. É o caso da advogada e poetisa Leide Moreira, de 60 anos. Leide levava uma vida normal. Caminhadas e a pratica deatividades físicas faziam parte de sua rotina quando descobriu, há quatro anos, que tinha a doença. Na época, ela administrava uma empresa especializada no desenvolvimento de projetos culturais.


O livro foi escrito em Português e Inglês

 

Hoje, Leide conta com a ajuda de familiares - ela tem três filhos -, cuidadores, enfermeiras e outros profissionais para executar as tarefas do dia-a-dia. Comunica-se através de uma tabela visual, por meio da qual os movimentos dos olhos são decodificados. É utilizando esse meio de comunicação que Leide também escreve seus poemas. A poesia - paixão antiga - passou a fazer parte de sua vida de forma intensa. Tanto é que 60 de suas composições estão reunidas no livro: Poesias Para Me Sentir Viva.

Exemplo de determinação e coragem, Leide representou o país através de sua obra apresentada no simpósio que aconteceu na Inglaterra. No Brasil, a publicação bilíngüe foi lançada recentemente (12/11) com o patrocínio do Bradesco Vida e Previdência.

Agora, a intenção de Leide é a produção de um documentário longa metragem contando sua luta pela vida, dando visibilidade ao pioneiro processo de sua produção poética.

Leia a seguir rápida entrevista com a advogada e escritora que encontrou na poesia mais uma razão de viver.

Qual foi sua reação ao descobrir que era portadora de Esclerose Lateral Amiotrófica?

Desespero total. Eu sempre cuidei de minha saúde. Todo ano ia ao cardiologista, ginecologista e fazia exames completos. Estava tudo normal. Além disso, eu fazia exercícios físicos diariamente.

O que mudou em relação ao seu modo de pensar sobre a vida?

A vida adquiriu um novo significado, posso traduzir em uma palavra: amor.

Algo em especial ganhou mais importância?

O convívio familiar.

De onde vem a inspiração para escrever suas poesias?

Da vida.

O que você diz para outras pessoas que se encontram na mesma condição que a sua?

Fé e esperança. Vamos ser criativos.

O que espera do futuro?

Tenho muita esperança no futuro. Faço planos, um deles é o documentário.

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