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O NOVO CIDADÃO UNIVERSAL PLANETÁRIO
Jarbas Medeiros
Há hoje, nos subterrâneos do inconsciente coletivo da humanidade, dois grandes mitos latentes e poderosos: a Índia e o Brasil. Não são ambos notados ou mesmo percebidos com clareza na mídia ou na cultura, mas aí estão, como grandes promessas, meio encobertas, nas sombras de um futuro certamente não muito remoto (quem sabe?). Sua floração se aproxima - é o que muitos já pressentem. Maurício Andrés Ribeiro, entre outros, de há muito trabalha nessa fascinante e misteriosa arqueologia e etnologia geopolítica humanista, artesanato daqueles que mergulham fundo nos oceanos para revelar novas formas de vida ainda não conhecidas ou daqueles que avançam cosmos afora em busca de tempos, espaços e forças ora apenas adivinhados. Aqui, escafandristas e astronautas são a mesma coisa.
O mito muito antigo da Índia, o mito muito novo do Brasil se fundem, se misturam e se completam na visão holística e transcendental de Maurício. Kenchenkuppe, aldeia indiana, está logo ali, vizinha do município de Santana do Jacaré ou de Conceição do Mato Dentro. Jodhpur, a cidade azul do Rajastão, se superpõe à perfeição à cidade amarela de Canudos. O Rajastão, aliás, é o Grande Sertão de Guimarães Rosa. Phoolan Devi, a Rainha Bandida, é a Maria Bonita de Lampião. O pôr-do-sol em Jaisalmer é o mesmo de Belo Horizonte, e o elefante adornado com o símbolo de Vishnu iguala-se, em força mítica, ao jegue ou burrico de Chapada do Norte, carregado de verduras e carne-seca para a feira semanal.
Desse enlace e casamento Índia-Brasil, sul-sul, que indianiza o Brasil e abrasileira a Índia, talvez nasçam os rebentos luminosos de uma nova civilização e de um novo império globalizado e planetário, uma alternativa futura certeira e correta, que nos enche de esperanças, para esse ziguezague, chega-pra-lá, vai-e-vem, empurrões, safanões, confusão, salamaleques e bofetões que o Ocidente e o Oriente se intercambiam, dramática e tragicamente, há milênios. Ocidente nervoso, Oriente assustado.
Vamos unir o que é diverso (sem confundir) dentro de uma unidade diversificada, recomenda Maurício. O planeta encontra finalmente o seu Self junguiano. Pura dialética holística. O mundo todo será, ao mesmo tempo, uma só coisa e muitas coisas. Auroville Universal.
Já estou me preparando, sem passaportes, bagagens ou vistorias nos aeroportos, para ser Cidadão Universal desse novo planeta. Então, vamos lá? Coragem, homem! Vamos procurar o Paraíso Perdido, o Elo Desconhecido, a Terra Prometida, a Posse do Céu? Eles estão logo ali: basta virar a próxima esquina do Tempo e seguir em frente no rumo assinalado pela Constelação de Órion.
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Tesouros da Índia para a civilização sustentável, de Maurício Andrés Ribeiro, Editora Rona, 2003
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Entrevista sobre o livro Tesouros da Índia para a civilização sustentável
31-03-2003 >>>>>>>> AQUI
Entrevista sobre o livro Tesouros da Índia para a civilização sustentável
05-05-2003 >>>>>>>> AQUI
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