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22.09.08

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL 2009

categorias: GENTE EM AÇÃO !

                                         

Amazônia é território e protagonista no Fórum Social Mundial 2009

De 27 de janeiro a 1° de fevereiro a cidade de Belém deixa de ser a capital do Pará para se tornar o centro de toda a Pan-Amazônia

A Pan-Amazônia será o território da 8ª edição do Fórum Social Mundial. Durante seis dias, Belém, a capital do Pará, no Brasil, assume o posto de centro de toda a região para abrigar o maior evento altermundista da atualidade que reúne ativistas de mais 150 países em um processo permanente de mobilização, articulação e busca de alternativas por um outro mundo possível, livre da política neoliberal e todas as formas de imperialismo.

Composta por Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, além da Guiana Francesa, a Pan-Amazônia é conhecida pela riqueza da maior biodiversidade do planeta e pela força e tradição dos povos e das entidades que constroem um movimento de resistência na perspectiva de um outro modelo de desenvolvimento.

Em reunião do Conselho Internacional (CI) do FSM, realizada entre 30 de março de 3 de abril, em Ambuja, Nigéria (África), ficou decidido que o FSM 2009 Amazônia será realizado no período de 27 de janeiro a 1º de fevereiro de 2009, na cidade de Belém, Pará, Brasil, um dos países que compõem a Pan-Amazônia. Além da data e a arquitetura do Fórum a reunião sinalizou a decisão de que o território do FSM2009 será constituído pela Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), todos localizados na avenida Perimetral, que está sendo chamada de "Corredor do FSM 2009 Amazônia".

Muito mais de um território para abrigar o FSM a Amazônia, representada por seus povos, movimentos sociais e organizações, será protagonista no processo e terá a oportunidade de fazer ecoar mundialmente suas lutas, além de tecer alianças continentais e planetárias.

A escolha da Pan-Amazônia

O Conselho Internacional do FSM composto por cerca de 130 entidades escolheu a Pan-Amazônia para sediar o FSM 2009 em reconhecimento ao papel estratégico que a região possui para toda a Humanidade. A região é uma das últimas áreas do planeta ainda relativamente preservada, em um espaço geográfico de valor imensurável por sua biodiversidade e que agrega um conjunto amplo e diverso de movimentos sociais, centrais sindicais, associações, cooperativas e organizações da sociedade civil que lutam por uma Amazônia sustentável, solidária e democrática, articuladas em redes e fóruns, construindo esse amplo movimento de resistência na perspectiva de um outro modelo de desenvolvimento.

O FSM 2009 Amazônia será guiado por três diretrizes estratégicas: - ser efetivamente um espaço onde se constroem alianças que fortalecem propostas de ação e formulação de alternativas; ser hegemonizado pelas atividades auto-gestionadas; e possuir um claro acento pan-amazônico.

Esse esforço e demanda da Pan-Amazônia foram reconhecidos e abraçados pelo CI e o resultado será uma das grandes novidades do FSM em sua 8ª edição, um dia inteiro dedicado à temática panamazônica.

O Dia da Pan-Amazônia: 500 anos de resistência afro-indígena e popular

O FSM 2009 Amazônia terá um dia a mais de atividades. O segundo dia da programação, no dia 28 de janeiro, será inteiramente dedicado a Pan-Amazônia. (Confira a programação)

Nesse dia, as vozes, os povos e as lutas da região serão levados ao mundo, representado pelos mais de 150 países que participam do FSM. O Dia da Pan-Amazônia será constituído de diversas atividades, como testemunhos, conferências, mesas –redondas, além de celebrações, mostras culturais e alguns grandes eventos, todos centrados no eixo: “500 Anos de Resistência Afro-Indígena e Popular”.

Outra grande novidade desse momento da programação é que diferente dos demais dias do FSM, nos quais todas as atividades são auto-gestionadas, a agenda do dia 28 será direcionada pelo Conselho do Fórum Social Pan-Amazônico e o Comitê Local de Belém, que no decorrer da preparação, deverão colher o máximo de sugestões dos povos da Pan-Amazônia e suas organizações.

A Festa da Aliança, na noite do dia 28, encerra o Dia da Pan-Amazônia e celebrará a aliança entre os povos da Amazônia com os povos de todas as regiões do mundo inteiro.
|FONTE|


Os 10 objetivos de ação para o Fórum Social Mundial 2009

A Consulta entre participantes do FSM definiu objetivos de ação para o evento de 2009, que será realizado em Belém, de 27 de janeiro a 1° de fevereiro.

Em torno destes objetivos foram organizadas as diversas atividades (conferências, painéis, seminários, oficinas entre outras) no evento de Belém.

Confira a lista de objetivos em torno dos quais serão organizadas as atividades no território do Forum de Belém.

 

1. Pela construção de um mundo de paz, justiça, ética e respeito pelas espiritualidades diversas, livre de armas, especialmente as nucleares;

2. Pela libertação do mundo do domínio do capital, das multinacionais, da dominação imperialista patriarcal, colonial e neo-colonial e de sistemas desiguais de comércio, com cancelamento da dívida dos países empobrecidos;

3. Pelo acesso universal e sustentável aos bens comuns da humanidade e da natureza, pela preservação de nosso planeta e seus recursos, especialmente da água, das florestas e fontes renováveis de energia;

4. Pela democratização e descolonização do conhecimento, da cultura e da comunicação, pela criação de um sistema compartilhado de conhecimento e saberes, com o desmantelamento dos Direitos de Propriedade Intelectual;

5. Pela dignidade, diversidade, garantia da igualdade de gênero, raça, etnia, geração, orientação sexual e eliminação de todas as formas de discriminação e castas (discriminação baseada na descendência);

6. Pela garantia (ao longo da vida de todas as pessoas) dos direitos econômicos, sociais, humanos, culturais e ambientais, especialmente os direitos à saúde, educação, habitação, emprego, trabalho digno, comunicação e alimentação (com garantia de segurança e soberania alimentar);

7. Pela construção de uma ordem mundial baseada na soberania, na autodeterminação e nos direitos dos povos, inclusive das minorias e dos migrantes;

8. Pela construção de uma economia centrada em todos os povos, democratizada, emancipatória, sustentável e solidária, com comércio ético e justo;

9. Pela ampliação e construção de estruturas e instituições políticas e econômicas – locais, nacionais e globais – realmente democráticas, com a participação da população nas decisões e controle dos assuntos e recursos públicos;

10. Pela defesa da natureza (amazonica e outros ecossitemas) como fonte de vida para o Planeta Terra e aos povos originários do mundo (indígenas, afrodescendentes, tribais, ribeirinhos) que exigem seus territórios, linguas, culturas, identidades, justiça ambiental, espiritualidade e bom viver.


FONTE: Agência Carta Maior em 06-08-08

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21.09.08

OS LIVROS DE SUA VIDA !

categorias: VIDA SAUDÁVEL

Biblioteca íntima
Reserve um pedacinho da casa para os livros da sua vida

 

texto Leandro Quintanilha | fotos André Spinola e Castro | Revista Vida Simples Edição Out 2008

 

Uma estante repleta de livros costuma ser uma espécie de biografia velada do dono daqueles volumes todos. Porque quem reúne livros coloca nas prateleiras também as fases da própria vida. Os livros da escola, da faculdade, do trabalho. Aqueles que foram presentes de amigos. Outros que você ganhou de um grande amor – ou até comprou para impressionar alguém. Livros sobre quem você foi, quem você é e quem gostaria de ser (sim, há também aqueles que você jura que ainda vai ler, lembra?). Uma biblioteca pode dizer mais sobre o dono que um livro sobre seu autor.

“Você organiza pelo assunto, mas, com o tempo, todo volume vira livro de História”, diz brincando o consultor de tendências político-econômicas José Eduardo Faro Freire. A longo dos seus 68 anos, Freire acumulou cerca de 8 mil títulos. Dois dos quartos do apartamento em que mora com a mulher foram unidos para comportar esse acervo, com o qual ele passa boa parte do dia. Ainda assim, as estantes, que cobrem todas as paredes do recinto, tiveram que ser ocupadas em fileiras duplas. Quando você tira um livro – olha lá! –, aparece a lombada de outro no fundo.

Troféus pessoais
Um colecionador de livros exibe seu acervo com uma mistura de orgulho e pudor. Livros são troféus, porque cada título desejado, encontrado, lido e guardado é uma conquista. Mas os itens de uma biblioteca pessoal são como o conteúdo da carteira, da bolsa, da geladeira – falam sobre você. Sobre a intimidade do seu pensamento, do seu imaginário.

“É sempre um recinto cheio de afetividade e significado”, diz Fernando Modesto, professor do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da Universidade de São Paulo. Modesto explica que, além de livros e revistas, uma biblioteca pode abarcar também CDs, DVDs, documentos, álbuns. Tudo que guarde uma lembrança. Mas que também (e esse é o lado “ruim”) ocupa um espaço danado na casa.

Na Antiguidade, o político romano Marco Túlio Cícero escreveu que uma casa sem livros é como um corpo sem alma. Faça o que puder no espaço de que você dispõe – o importante é manter os livros por perto, como parte do cotidiano. Uma biblioteca doméstica pode ser dispersa, dividida em estações estratégicas pela casa toda. A da bibliotecária e designer (de bibliotecas!) Cláudia Tarpani é assim. Os livros de trabalho estão no escritório. Na sala, ficam os de literatura. Os demais, sobre culinária, jardinagem e decoração, estão numa estante no fundo do corredor

Mas, se você tiver aí na sua casa um recinto disponível, melhor. Mais espaço para os livros que você já tem – e os que virão. A arquiteta Helena Ayoub, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, explica que um quarto comum pode ser transformado em biblioteca, se tiver boa ventilação. Você só deve evitar colocar prateleiras onde há incidência direta de luz solar. Mas até isso você pode resolver, com cortinas ou persianas. “Evite também colocar os livros nas paredes do quarto que dão para áreas molhadas da casa – banheiros, cozinha e área de serviço”, diz.

 

Ordem no recinto
O mais importante, para bibliotecas de todos os tamanhos, é a organização. Há um lema na biblioteconomia que diz que, se você não consegue encontrar uma coisa, é como se ela não existisse. Quem tem um acervo grande pode cogitar contratar uma consultoria especializada – isso deve custar de 4 a 6 reais por livro. Modesto, o professor de biblioteconomia, ganhou de presente da mulher um programa de computador que o ajudou a catalogar o acervo. O software que ele usa foi feito por um amigo, mas há hoje vários programas gratuitos do tipo disponíveis na rede. Você também pode optar por uma forma mais simples de fazer seu catálogo, usando apenas um editor de texto comum.

Para muita gente, organizar a própria biblioteca pode ser um trabalho delicioso e, portanto, intransferível. Mesmo porque os critérios de organização de um acervo doméstico só precisam fazer sentido para o dono. Por exemplo: ouvi dizer que o redator-chefe de VIDA SIMPLES (hum, será que ele publica isso?) organiza sua biblioteca com associações inusitadas. Escritores que foram inimigos declarados, como os poetas espanhóis Góngora e Quevedo, ficam bem longe um do outro nas estantes. Os que foram amigos – ou os que viveram romances tórridos, como os poetas franceses Rimbaud e Verlaine – ficam próximos nas prateleiras.

Sem confusão
Os professores e escritores Veronica Stigger e Eduardo Sterzi são casados em regime de separação de bibliotecas. No início deste ano, eles se mudaram para um apartamento maior, em que cada um pode organizar seu acervo em recintos distintos. Agora, são menores as chances de confusão. “Já comprei livro repetido e também deixei de comprar títulos por achar que já os tinha”, conta Veronica. Ela tem 3 mil livros – a maioria sobre arte e antropologia.

Sterzi, que ensina literatura, tem 6 mil. A coleção dele começou ainda na casa dos pais. A falta de espaço no quarto de solteiro fazia com que o professor precisasse empilhar parte do acervo no chão. Hoje ele sabe que livro não se guarda na posição horizontal. “O peso das páginas umas sobre as outras pode, com o tempo, alterar a composição química da tinta e do papel”, ensina Fernando Modesto, o professor de biblioteconomia.

O ensaísta alemão Walter Benjamin escreveu um texto sobre a delicada relação do colecionador com seus livros, intitulado “Desempacotando minha Biblioteca” |LINK|. Para ele, o destino mais importante de todo exemplar é o encontro com o colecionador – e com a coleção. “Para o colecionador autêntico, a aquisição de um livro velho representa seu renascimento.”

Na tradução para o português, não fica muito claro se ele se refere aí ao renascimento do livro ou do colecionador. Não faz mal. Quem coleciona livros sabe que as duas interpretações fazem sentido.

| LINK |

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