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MATIZES
Nem verde, nem vermelho.
Basta de idéias impostas
Por radicais ou manipuladores.
Por que não deixar que as consciências
Recebam água de muitas fontes
E se misturem ao mar Naturalmente?
Nem rosa, nem azul..
Abaixo os preconceitos.
Ninguém é só o que veste,
Ou aquilo que aparenta.
Mas o que sente, o que ama...
E não se ama apenas
O socialmente correto.
Não, nem preto, nem branco.
Por que não misturar as cores
E descobrir nuances, tonalidades?
O arco-íris é belo porque admite
A possibilidade de todos os matizes,
Refletidos democraticamente
Na limpidez de um prisma.

CAMINHOS PARA O SOL
A beleza e o sol têm muito em comum:
ambos estão sempre presentes, ao alcance de todos,
ainda que ocultos além das nuvens ou sob véus de indiferença.
Belo não é apenas aquilo que agrada aos olhos.
Belo é tudo que fala à sensibilidade, seja através das cores,
das formas, dos sons, dos aromas...
Feche os olhos.
Ouvirá a melodia magnífica da vida, em fantásticas harmonias.
Tape os ouvidos e milhares de aromas falarão de coisas belas,
até então insuspeitadas e tão próximas.
Estenda as mãos, toque cada objeto e descobrirá um
fascinante universo de formas e texturas.
Deite-se ao sol e o calor que envolver seu corpo
será beleza entrando por seus poros.
"É com o coração que se vê corretamente.
O essencial é invisível aos olhos."
Descobrir maneiras diferentes de sentir e dee expressar
O belo é caminhar em busca do sol, da realização plena,
sem os entraves do medo, sem os véus do constrangimento,
sem o pudor de exibir os segredos da alma à luz.
É estar pronto para aceitar com o mesmo sorriso a crítica e o aplauso.
É, enfim, estar apto para ocupar seu lugar na sociedade,
desfrutando a vida com tudo o que ela tem de amargo e doce.
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VIRGÍNIA VENDRAMINI, premiada escritora paulista, residente no Rio de Janeiro, é professora de Língua Portuguesa e de Literatura, talentosa artista plástica e aplaudida poetisa. Ensinou braille para deficientes visuais, no Instituto de Medicina Física e Reabilitação Oscar Clark. Virgínia, que estreara com Rosas Não, já publicou outro excelente livro de poemas: Primavera Urbana (Rio de Janeiro:Blocos, 1996). Agora, nos brinda com Hora do Arco-íris, vencedor do "Prêmio Murilo Mendes - 1998".
A qualidade de sua produção poética é responsável pelas continuadas premiações que tem conquistado em concursos literários de todo o país. Possuidora de grande sensibilidade, domínio do idioma pátrio e poder criativo, Virgínia compõe poemas magníficos e vigorosos, em que a musicalidade permite uma leitura agradável do conteúdo enriquecedor de seus versos.
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A PARCERIA VIRTUAL PERMITE TROCAS INTERESSANTES.
APÓS LER O ARTIGO "QUEM ENSINA E QUEM EDUCA ?",
FALANDO DE PAIS E EDUCADORES,
NO BLOG LETRA VIVA, DE JOSÉ ROIG,
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LEMBREI DE TEXTO COM TEMA PARECIDO,
COMPLEMENTAR À IDÉIA ORIGINAL.
AÍ VAI UMA BOA LEITURA, PARA REFLEXÃO...
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Quem ensina quem
A convivência com um deficiente pode ensinar muito mais a você do que ao próprio
Por Walcyr Carrasco*
Revista Nova Escola - 10/2006
Quando era criança, tinha como vizinho um menino com deficiência mental, o Joel. Os moleques da rua mexiam com ele. Sua mãe pegava uma vassoura e corria atrás de todos, furiosa. Eu costumava brincar com o irmão dele, Antônio Carlos. Às vezes ouvia longas conversas entre minha mãe e a do Joel. Esta preocupava-se. Como seria o futuro?
O tempo passou. Mudei de cidade. A lembrança sempre mexeu comigo. Não sabia o motivo. Durante cinco anos batalhei pelo meu futuro. Queria ser escritor. Não é uma carreira fácil. Quase desisti. Um dia, levado por um amigo, fui à casa de um rapaz tetraplégico devido a um acidente. Tinha algum movimento nos braços e nas mãos. Casara-se com uma jovem loira e bonita. Escrevia e desenhava. Sustentava a casa.
Ao sair, senti uma profunda angústia. Não por ele, mas por mim. Entendi por que a história do Joel e agora a do rapaz mexiam comigo. Eu me sentia excluído. Como os moleques excluíam Joel. Como quem tem deficiência costuma ser excluído do acesso a prédios, em aeroportos, em muitas escolas e de tantas outras coisas!
O mundo também não oferecia lugar para meus sonhos! O rapaz me ensinara que é possível dar a volta por cima. Minha vida seria especial, decidi.
Meses atrás, 40 anos depois, voltei à cidade de minha infância, Marília. Visitei o irmão de Joel, Antônio Carlos, casado e com filhos. É vizinho dos pais. Sua filha, casada, também mora logo ali na esquina. Antônio Carlos ganhou uma bolsa para o exterior. Mas não aceitou. Preferiu tornar-se professor para ajudar a cuidar do irmão. Fui visitar Joel, hoje um homem adulto, já com dificuldade de movimentos.
"Que vida difícil teve essa família", pensei. Olhei em torno. Estava enganado. A família de Joel era unida e feliz. A presença dele despertara em todos uma inacreditável quantidade de amor e solidariedade, como pouco encontrei. Descobri que ao conhecer alguém com deficiência não se deve perguntar: "O que posso fazer por ele?", mas estar aberto ao que ele pode ensinar.
* É autor de livros, peças teatrais e novelas de TV. Entre suas obras, destacam-se, ligados ao tema da deficiência e da exclusão: As Asas do Joel (Quinteto Editorial), Estrelas Tortas, Irmão Negro e A Corrente da Vida (Editora Moderna).