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É a continuidade de ARTE BRASILIS http://artebrasilis.blog.terra.com.br Uma REVISTA ELETRÔNICA de ARTE, CIÊNCIA, FILOSOFIA, EDUCAÇÃO e CULTURA DE PAZ. artebrasilis@hotmail.com - artebrasilis@bol.com.br

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Arquivo de: Agosto 2008, 01

01.08.08

OS MATIZES DE VIRGÍNIA VENDRAMINI

MATIZES
Nem verde, nem vermelho.
Basta de idéias impostas
Por radicais ou manipuladores.
Por que não deixar que as consciências
Recebam água de muitas fontes
E se misturem ao mar Naturalmente?

Nem rosa, nem azul..
Abaixo os preconceitos.
Ninguém é só o que veste,
Ou aquilo que aparenta.
Mas o que sente, o que ama...
E não se ama apenas
O socialmente correto.

Não, nem preto, nem branco.
Por que não misturar as cores
E descobrir nuances, tonalidades?
O arco-íris é belo porque admite
A possibilidade de todos os matizes,
Refletidos democraticamente
Na limpidez de um prisma.

CAMINHOS PARA O SOL
A beleza e o sol têm muito em comum:
ambos estão sempre presentes, ao alcance de todos,
ainda que ocultos além das nuvens ou sob véus de indiferença.
Belo não é apenas aquilo que agrada aos olhos.
Belo é tudo que fala à sensibilidade, seja através das cores,
das formas, dos sons, dos aromas...
Feche os olhos.
Ouvirá a melodia magnífica da vida, em fantásticas harmonias.
Tape os ouvidos e milhares de aromas falarão de coisas belas,
até então insuspeitadas e tão próximas.
Estenda as mãos, toque cada objeto e descobrirá um
fascinante universo de formas e texturas.
Deite-se ao sol e o calor que envolver seu corpo
será beleza entrando por seus poros.
"É com o coração que se vê corretamente.
O essencial é invisível aos olhos."
Descobrir maneiras diferentes de sentir e dee expressar
O belo é caminhar em busca do sol, da realização plena,
sem os entraves do medo, sem os véus do constrangimento,
sem o pudor de exibir os segredos da alma à luz.
É estar pronto para aceitar com o mesmo sorriso a crítica e o aplauso.
É, enfim, estar apto para ocupar seu lugar na sociedade,
desfrutando a vida com tudo o que ela tem de amargo e doce.

________________________________________

 VIRGÍNIA VENDRAMINI, premiada escritora paulista, residente no Rio de Janeiro, é professora de Língua Portuguesa e de Literatura, talentosa artista plástica e aplaudida poetisa. Ensinou braille para deficientes visuais, no Instituto de Medicina Física e Reabilitação Oscar Clark. Virgínia, que estreara com Rosas Não, já publicou outro excelente livro de poemas: Primavera Urbana (Rio de Janeiro:Blocos, 1996). Agora, nos brinda com Hora do Arco-íris, vencedor do "Prêmio Murilo Mendes - 1998".
A qualidade de sua produção poética é responsável pelas continuadas premiações que tem conquistado em concursos literários de todo o país. Possuidora de grande sensibilidade, domínio do idioma pátrio e poder criativo, Virgínia compõe poemas magníficos e vigorosos, em que a musicalidade permite uma leitura agradável do conteúdo enriquecedor de seus versos.

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31.07.08

QUEM ENSINA QUEM ?

categorias: EDUCAÇÃO EM REDE

A PARCERIA VIRTUAL PERMITE TROCAS INTERESSANTES.

APÓS LER O ARTIGO "QUEM ENSINA E QUEM EDUCA ?",

FALANDO DE PAIS E EDUCADORES,  

NO BLOG LETRA VIVA, DE JOSÉ ROIG,

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LEMBREI DE TEXTO COM TEMA PARECIDO,

COMPLEMENTAR À IDÉIA ORIGINAL.

AÍ VAI UMA BOA LEITURA, PARA REFLEXÃO...

.

.

Quem ensina quem

A convivência com um deficiente pode ensinar muito mais a você do que ao próprio


Por Walcyr Carrasco*
Revista Nova Escola - 10/2006



Quando era criança, tinha como vizinho um menino com deficiência mental, o Joel. Os moleques da rua mexiam com ele. Sua mãe pegava uma vassoura e corria atrás de todos, furiosa. Eu costumava brincar com o irmão dele, Antônio Carlos. Às vezes ouvia longas conversas entre minha mãe e a do Joel. Esta preocupava-se. Como seria o futuro?

O tempo passou. Mudei de cidade. A lembrança sempre mexeu comigo. Não sabia o motivo. Durante cinco anos batalhei pelo meu futuro. Queria ser escritor. Não é uma carreira fácil. Quase desisti. Um dia, levado por um amigo, fui à casa de um rapaz tetraplégico devido a um acidente. Tinha algum movimento nos braços e nas mãos. Casara-se com uma jovem loira e bonita. Escrevia e desenhava. Sustentava a casa.

Ao sair, senti uma profunda angústia. Não por ele, mas por mim. Entendi por que a história do Joel e agora a do rapaz mexiam comigo. Eu me sentia excluído. Como os moleques excluíam Joel. Como quem tem deficiência costuma ser excluído do acesso a prédios, em aeroportos, em muitas escolas e de tantas outras coisas!

O mundo também não oferecia lugar para meus sonhos! O rapaz me ensinara que é possível dar a volta por cima. Minha vida seria especial, decidi.

Meses atrás, 40 anos depois, voltei à cidade de minha infância, Marília. Visitei o irmão de Joel, Antônio Carlos, casado e com filhos. É vizinho dos pais. Sua filha, casada, também mora logo ali na esquina. Antônio Carlos ganhou uma bolsa para o exterior. Mas não aceitou. Preferiu tornar-se professor para ajudar a cuidar do irmão. Fui visitar Joel, hoje um homem adulto, já com dificuldade de movimentos.

"Que vida difícil teve essa família", pensei. Olhei em torno. Estava enganado. A família de Joel era unida e feliz. A presença dele despertara em todos uma inacreditável quantidade de amor e solidariedade, como pouco encontrei. Descobri que ao conhecer alguém com deficiência não se deve perguntar: "O que posso fazer por ele?", mas estar aberto ao que ele pode ensinar.



* É autor de livros, peças teatrais e novelas de TV. Entre suas obras, destacam-se, ligados ao tema da deficiência e da exclusão: As Asas do Joel (Quinteto Editorial), Estrelas Tortas, Irmão Negro e A Corrente da Vida (Editora Moderna).

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