Arte Brasilis 2

É a continuidade de ARTE BRASILIS http://artebrasilis.blog.terra.com.br Uma REVISTA ELETRÔNICA de ARTE, CIÊNCIA, FILOSOFIA, EDUCAÇÃO e CULTURA DE PAZ. artebrasilis@hotmail.com - artebrasilis@bol.com.br

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Arquivo de: Julho 2008, 24

24.07.08

O PRIMEIRO PEIXE A GENTE NUNCA ESQUECE...

categorias: TEXTOS & ARTE

 

CARTUM: Minêu Blog

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Eu, pescador!

Ney Mourão

27 de Novembro de 2006 

 

 - BLOG PERISTÁLTICO -


Certa vez, uns amigos, que “não acredito que você nunca pescou”, me levaram para a coisa.

Instruções iniciais: não pode conversar. Mas como vou para um programa onde não posso fazer a principal e melhor coisa que sei fazer na vida? Respirar, pode? Podia, mas devagar e sem fazer barulho.

Lá fui eu. Vontade de gritar, já que não podia falar. E, como não podia se mexer, pra não espantar os peixes ( "que falta de graça, esse mundo dos peixes, sem movimento”, eu dizia, entre uma gargalhada solitária e outra…), fiquei sem saber onde enfiava as mãos, os pés, as orelhas, o bedelho. E, como não sabia onde enfiava nada, fiquei sem saber onde enfiava o monte de coisas que me deram incumbência. E, apatetado com esse universo novo, deixei cair uma lata, um treco velho, enferrujado e com cara de podre que configurou-se como o meu maior crime, dali pra diante. Ora, uma lata velha, cheia de terra preta? “Minhocas, Ney Mourão! Minhocas”, gritaram em uníssono! Mas por que estão gritando? Não era proibido fazer barulho, caramba?!

“Tudo bem, você PODE continuar entre nós, desde que tenha cuidado”. Mas, gente, como POSSO; eu nem queria vir! Ai, se meus botões falassem…

E o frio? Quer uma cachaça pra esquentar? Mas Jesus! Se eu tomar uma cachaça, vocês vão ver. Aí, sim, o tempo é que vai ficar quente por aqui… A última vez que tomei cachaça belisquei pelo menos umas dez nádegas numa balada noturna. E isso numa cidadezinha do interior, onde nem nádegas o povo tem direito, que a religião não permite.

“Come um pedaço de queijo, mas não deixa cair na água, porque você tira o interesse do peixe pela isca”. Ah, mas tem isso? Não é possível! Peixe com livre arbítrio! E quem disse que eu gosto de queijo? Principalmente esse, que veio misturado com a lata nojenta e cheia de terra preta. (Eu JURO pelos céus, que não vi minhoca ali dentro. Tava tudo enrustida. Inventaram que tinha minhoca, pra me deixar com sentimento de culpa. Aliás, tô começando a achar que tudo isso é um complô contra mim. É isso. Logo, vão aparecer os idiotas da Câmera Escondida e eu vou ter que fingir que tô gostando. E esse frio, meu Pai? Isso não pode ser normal! Tô achando que oitenta por cento é fundo nervoso! Nossa! Podia tanto ter um shopping aqui perto!)

Tudo bem. O primeiro peixe. Não meu. De um dos amigos daqueles “não acredito que você nunca pescou; não sabe o que está perdendo…”. E meu primeiro escândalo. Quem disse que o peixe não sangra? E aquelas coisas vermelho-escuro saindo da goela dele? É cenográfico? Foi o Hans Donner que criou? E ele se debatendo? É faniquito? Piti puro? Frescura, aposto! Não tá doendo, é que peixe é assim mesmo; adora dar escândalo! Está se debatendo é porque quer aparecer pras câmeras escondidas e roubar a minha cena.

Eu juro que ouvi ele gritar. Sinto muito, mas eu não fico mais aqui, vendo essa “barbárie”. Não quero compartilhar esse circo de horrores. “Mas, Ney Mourão, é apenas UM peixe”. Ah, é? Vocês querem que eu conte a história do homem que salvava estrelas do mar na beira da praia? [ link com a história ] “Nãããoooo!” Ué! Por que será que não queriam? Uma história tão adequada para a ocasião! Se eu salvasse aquele UM estaria fazendo a minha parte, não estava?

E quer saber? Eu não vou comer isso, depois que vi ele olhando pra mim e chorando. E quer saber? Não páro nunca mais de chorar, pronto. Quero ver se vocês pescam mais alguma coisa, depois desse chororô que eu vou aprontar.

Quase fui linchado - ou afogado, o que era super fácil, já que afogo em caixa d’água de 250 litros. Mas meu maior troféu: salvei TODOS os peixes. Pelo menos os daquela noite. Pois resolveram que o melhor era mesmo ir embora, 90 quilômetros de estrada de volta. Todos calados, com olhos de peixe morto! Ai, desculpem, não segurei a metáfora!

E eu? Fui pra casa, comer salada, que o olho do peixe me olhando tava atravessado na consciência. Quando me lembrava, ainda me afogava em lágrimas. De gente, mesmo! Não de crocodilo!!!

 

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[ CRÉDITO DA FOTO ]

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SOBRE O CARTUM: Esse cartum rodou o mundo: foi premiado no Salão Universitário de Humor de Piracicaba em 2005, participou de exposição na França, foi publicado em jornal mineiro e selecionado em festival na Bélgica. LEIA MAIS CLICANDO AQUI

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DICA: "Quer aperfeiçoar sua redação? Quer pesquisar sobre produção textual?
Quer ler bons artigos? Quer dicas e orientações?"

 clique em REDAÇÃO CRIATIVA

 


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'TECLO, LOGO EXISTO'

categorias: EDUCAÇÃO EM REDE

 

Novos tempos, novas ferramentas, novos jeitos de aprender e existir

Ney Mourão

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O filósofo, físico e matemático francês René Descartes, se hoje vivesse, talvez tivesse dito sua máxima mais célebre assim: “Teclo; logo existo”. Ainda assim, com a vertiginosa velocidade do avanço das tecnologias, tal afirmação correria o risco de, dentro de alguns anos, com o já previsível desaparecimento dos teclados em nossas máquinas, também tornar-se obsoleta.

É fato conhecido: nas últimas décadas, experimentou-se, no campo tecnológico, um acúmulo de descobertas e novidades equivalente ao que se conseguiu em séculos de anterior existência humana. A chamada Era do Conhecimento trouxe, para o processo de ensino/aprendizagem, novas perguntas, novos questionamentos e a necessidade de respostas tão ágeis quanto o contexto em que estão inseridas. A TV de nossa sala mostra, em tempo real (e nunca se disse tanto a expressão “tempo real” como agora), a imagem de dois aviões invadindo duas torres, em um lugar a milhares de quilômetros de distância. De imediato, nossos filhos querem saber por que, onde ficam os prédios, quem é o senhor de barba longa a quem é atribuído o ataque. Num lampejo, todo o mundo está plugado, em rede, com históricos disponíveis, localizações geográficas, simulações de vôos, gráficos, reflexões ético-antropológicas. Conecto-me; logo existo! Eis a fórmula de um tempo novo!

Um personagem deste cenário em turbilhão vive ansiedades maiores. Um personagem habituado à constância, à previsibilidade, às fórmulas prontas, aos livros onde o saber estava consolidado, a um tempo medido mais pela cronologia do que pela efervescência. Um personagem de um mundo onde aviões não atravessavam torres, com transmissão ao vivo em telas instaladas em suas salas.

O professor é um personagem cujo papel mais definidor era a capacidade de oferecer respostas. No atual cenário, multiplicam-se as perguntas e a relação ensino-aprendizagem torna-se efetiva teia de construção de saberes, onde também o docente é um vivenciador das mudanças. Novos saberes, novos sabores precisam ser descobertos.

”As tecnologias conectam as pessoas, que se conectam entre si”, disse Bill Gates. As novas tecnologias digitais têm possibilitado uma dinâmica nova, oportunizando a disponibilização de informação em rede e uma nova postura dos agentes vivos que dela se utilizam. Alguns começam a tornar-se mais ativos e interativos. Ou, pelo menos, estão sendo estimulados a desenvolverem tal perfil - por exigência do mercado ou por incentivo dos seus parceiros, tanto instrutores/facilitadores quanto aprendizes também.

Na Educação a Distância, um leque imenso de possibilidades se abre. Conexões mais ágeis permitem a evolução do aspecto gráfico dos ambientes, a criação de novos recursos de interação entre aprendizes, a exploração de novas linguagens. Mais que isso, oportuniza a diminuição do contingente de excluídos no acesso à informação.

É certo que a rapidez das mudanças também assusta. Nosso personagem, muitas vezes, vê-se às voltas com paradigmas novos, que nem sempre se encaixam com o tradicional. A própria legislação em Educação, em nosso país, tem passado por críticas constantes, por não conseguir acompanhar a velocidade com que emergem novos cenários. Auto-aprendizado, formação continuada autônoma e “home schooling”, por exemplo, ainda são bichos-papões incompreensíveis, que muitos evitam até tocar no assunto. A relação docência-aprendiz vê-se tomada pela necessidade de aprimoramento constante nas duas pontas. Wikis, ambientes virtuais, novas plataformas, redes inovadoras de interação – tudo é rápido e tem que ser aprendido com agilidade, sob o risco da obsolescência.

Sem dúvida, não há volta. Como afirma LÉVY (2006), cada vez mais, Educação a Distância e o formato presencial mais se assemelharão e se apropriarão do melhor dos dois mundos. Não há como se desfazer das tecnologias, mas sim há que se utilizar delas com bom senso, como ferramentas, como suporte ao anseio maior de todo processo educacional, seja a distância ou presencial: tornar as pessoas melhores!

 

(Ney Mourão é jornalista, tutor em Educação a Distância, e vive a boa ansiedade dos dois mundos - é educador e eterno aprendiz!)

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- BLOG PERISTÁLTICO -

 

LEIA O MAIS RECENTE ARTIGO DO AUTOR: "Convite para meu velório"

 

[CRÉDITOS DA IMAGEM]

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