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Mãe Terra
Mãe
dos seres
que em ti encerra
Em dias de Amor e Guerra
Do Bem e do Mal
Acolhe esta folha
outonal
Hoje a descer
Por teus braços d’água
Sentinela
Navegante
A seqüestrar teus sinais
pulsantes
Em viagem
sigilosa
Segue
folha em flor
em melodia formosa
Zelando a dor
e a mágoa
que margeiam a Terra
que teu seio
absorve
e tua voz
afaga
Mãe dos céus
E mares imensos
De deuses e serpentes
Silvos e sussurros
De sóis resplandecentes
E silêncios escuros
Sina singular de
Esforço crescente
Intenso
Em vida
A nascer e descer
Na sintonia corrente
Subtrai e soma
Multiplica
As oferendas da Terra
Ao pó retorna
No pó se enterra
Renasce em águas
De outras somas e quimeras
Folha destemida
Que se desprende e lança
E a vida explica
Viver é lançar-se
Sobre a evolução
De águas correntes
Pisar em solos descrentes
Bater nos muros do egoísmo
Com mãos de atendimento
Ser
vínculo e desprendimento
Como folha solta
ao vento
Livre e presa
ao determinismo
da própria
mente
Vera Guidi - artebrasilis@hotmail.com
(escrita em outubro de 2004)
