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A África negra tem uma longa tradição textil, onde a variedade de materiais é tão grande quanto os estilos encontrados. Utilizados como roupa, os tecidos serviram também de moeda, foram utilizados como mensageiros e objetos estéticos. Diz-se com frequência que os Africanos eram mais escultores que pintores : os tecidos podem ser considerados, na África, substitutos da pintura.
Os primeiros "tecidos" foram realizados com casca de árvore batida; muito difundidos antigamente numa grande parte do continente, eles são encontrados atualmente sobretudo nas populações da África central, onde são, na maioria das vezes, decorados com tintas vegetais. A tecelagem só foi desenvolvida bem mais tarde, a partir do século 11, mesmo se tecidos ricamente trabalhados já eram importados dos países da África do norte, do Egito e da península arábica para vestir as populações das grandes cidades portuárias das costas orientais assim como os membros das classes nobres dos reinos do deserto do Sahel. Nesta mesma época, a expansão do islã, introduzindo novos códigos vestimentários, desempenhou um papel importante no desenvolvido que sofreram os tecidos, sobretudo na África ocidental.
Os tecidos de fabricaçã local constituíram durante muito tempo bens raros e preciosos; marcas de poder e de riqueza, reservados a uma elite, eles foram integrados como moeda para troca, graças aos quais era possível estimar o preço de uma mercadoria e comprá-la. Desde sua chegada nas costas do continente, no século 15, os traficantes europeus exploraram as possibilidades comerciais que ofereciam esta nova "moeda" e encorajaram indiretamente a produção textil local devido à sua utilização.
A quantidade de tecidos detidos por cada família foi considerada durante muito tempo uma marca de riqueza e de poder em muitas sociedades africanas. Nas regiões onde o islã se instalou, como em todas as outras regiões onde o tecido se transforma em hábito vestimentar, a metragem e o peso do produto são proporcionais à fortuna e ao poder daquele que os possui: se este faz parte das pessoas influentes da comunidade, chefe político ou grande comerçante, sua numerosa corte que o segue quando ele sai deve ser como ele, enrolada em abundantes tecidos.
O poder se mede também na possibilidade de dispor de seus bens e de distribui-los e, entre eles, os tecidos constituem presentes excepcionais. Dar tecidos como presente possibilita a solução de inúmeros conflitos e libera as tensões. Esses presentes são feitos em momentos importantes da vida de cada um (maioridade, casamento, nascimento dos filhos). A ascensão social ou religiosa ou o pagamento de serviços não pode acontecer sem a distribuição de tecidos. Para manter boas relações com a família, os amigos, os vizinhos, para ser admitido numa seita, cada pessoa é incitada a dar tecidos e a recebê-los. A posse de uma grande quantidade de tecidos aumenta o prestígio do seu proprietário, o que lhe possibilita uma maior participação na vida comunitária, onde o princípio da dívida é a base de toda relação social e econômica.
Mas o tecido não é somente moeda ou roupa: ele representa também, de acordo com seu estampado, uma espécie de texto onde podem ser "lidas" a identidade social e religiosa daquele que o usa: a decoração, seja ela impressa, tingida, pintada, tecida ou costurada, representa os espaços, os objetos, os seres e as metamorfososes presentes na mitologia. Por este motivo, os tecidos têm um papel importante na vida ritual: os mortos, mesmo no seio de sociedades que não possuem tecelões, são vestidos ou envolvidos em tecidos, tornando-se assim protegidos pela palavra dos vivos.
FONTE: http://www.anniecicatelli.com/tecidos.htm


http://www.voguefabricsstore.com/store/images/P/afr-g.jpg
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...E MAIS...
CONHEÇA A TÉCNICA DO BATIK:
O Batik surgiu originalmente na Indonésia. Era uma arte nobre, que apenas as princesas e suas damas podiam praticar, pois somente elas dispunham de tempo suficiente para trabalhar os tecidos (normalmente a seda) de forma tão detalhada e elaborada. As tintas que usavam eram extraídas de plantas nativas e preparadas nas habitações, cercadas do maior segredo.
Batik ou Ambatik é um nome javanês que significa desenhar, escrever.
Uma Técnica de Vedamento
Há 2000 anos a.C. no Egito, em Java, na Índia, na China, na África e na Indonésia, já estampavam-se os tecidos com a técnica do batik que era usado, através da impressão de mensagens e notícias, como meio de comunicação. Só mais tarde esta técnica passou a ser empregada para estampar tecidos de vestuário.
Podemos dizer que o batik é uma técnica de vedamento, pois as partes cobertas com a cera não recebem tinta. Desenha-se com a cera sobre o tecido branco ou cru, que depois é tingido normalmente com a cor determindada.
As linhas e ranhuras coloridas que vão surgindo no desenho são chamadas de "craquelê", que é a maior característica desta técnica e que contribui para realçar o trabalho.
Antigamente, no batik primitivo, para cada cor aplicada o tecido era encerado, tingido, vaporizado e removia-se a cera a cada aplicação de cor.
Este processo, hoje em dia, está bastante simplificado. Mudamos muito o estilo, criamos novas técnicas, além de dispormos de diversos tipos de corantes, anilinas e tintas para tecidos, o que nos facilita bastante a vida. Também simplificamos muito os riscos e temas.
A introdução destas novas técnicas simplificaram tanto a execução do batik que, hoje em dia, por exemplo, é possível usar, para um único trabalho, todas as cores desejadas, em apenas três ou quatro tingimentos.
Essa técnica é conhecida como a técnica do "Falso Batik".
O Batik Antigamente
As princesas e as grandes damas das cortes desenhavam e criavam as suas marcas e os seus símbolos de realeza ou de família e as escravas executavam o trabalho, nem sempre fácil, de tingimento.
Os sacerdotes estampavam nos tecidos as figuras de elefantes, de águias e de toda a sorte de símbolos.
Para estampar o mesmo desenho em série, usavam o "Tjap", uma espécie de carimbo feito de madeira ou metal.
Para desenhar com cera, usavam o "Tjanting", uma espécie de pincel que, ao invés de cerdas, tem na ponta um recipiente -- normalmente de cobre -- para colocar a cera derretida, que vai escorrendo por um funil de diâmetro variado, à medida que se vai desenhando, e que até hoje em dia é bastante utilizado. FONTE: www.geocities.com/SoHo/Workshop/9792/index.htm
LINK:
EVENTO EM SÃO PAULO...
A ÁFRICA E SUAS RECIPROCIDADES NA CONSTRUÇÃO DA PAZ MUNDIAL
http://arte.brasilis.zip.net/arch2008-04-27_2008-05-03.html#2008_05-02_18_58_59-126697123-0
VEJA TAMBÉM
http://arte.brasilis.zip.net/arch2008-04-27_2008-05-03.html#2008_05-02_19_27_31-126697123-0