| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | |
| 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 |
| 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 |
| 21 | 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 |
| 28 | 29 | 30 |
PROJETO GENEROSIDADE
Ela virou a mesa
Há dez anos, a economista Luciana Quintão comanda a ONG Banco de Alimentos e segue uma regra simples: busca comida onde ela está sobrando e leva onde ela está em falta
Mariana Romão
Fome de mudança: Luciana Quintão, presidente do Banco de Alimentos, na sede da ONG
A história a seguir não é sobre a realização de um sonho, mas a de alguém que age de acordo com o que acredita. O discurso por um mundo melhor da economista Luciana Quintão pode parecer demagogo de cara, mas bastam alguns minutos de conversa para acreditar em sua convicção. O fruto dessa garra é o Banco de Alimentos (bancodealimentos.org.br), ONG fundada em 1998 que trabalha para evitar o desperdício de comida. A cada mês, o projeto recolhe 44 toneladas de alimentos entre comerciantes e indústrias do ramo alimentício e as distribui para 22 mil pessoas em 52 instituições cadastradas na cidade de São Paulo.
"Fazemos a ponte entre o lugar em que sobra e o lugar em que falta", afirma Luciana, presidente do Banco de Alimentos. "As pessoas têm a idéia de que doamos resto de comida. Não é nada disso. Nosso produto é basicamente excedente de comercialização, que está literalmente perfeito para o consumo."
Há dez anos, quando decidiu criar a ONG, Luciana era dona de uma editora e praticava suas convicções em pequenas ações do dia-a-dia. "Funcionava de uma forma muito pequenininha, numa sala da editora. Era um trabalho que custava cerca de R$ 6 mil, mas eu não tinha esse dinheiro para colocar lá", afirma ela. Assim, vendeu a editora, abriu mão de boa parte do seu patrimônio e se capitalizou para criar a ONG. "Depois de cinco anos muito difíceis, o negócio começou a engrenar, receber ajuda e crescer", diz.
Hoje são necessários R$ 40 mil por mês, entre despesas com a sede, os carros e os funcionários, para fazer a ONG operar. De segunda a sábado, quatro carros refrigerados passam pelas mais de 200 empresas doadoras e recolhem pães, massas, aveia, laticínios, legumes e verduras e levam até as entidades carentes cadastradas. O arroz e o feijão são doados em ações pontuais: pessoas físicas que querem ajudar, empresas que não são do ramo alimentício e campanhas de arrecadação.
TUDO FISCALIZADO
Tanto os doadores quanto os beneficiados têm deveres. O primeiro grupo precisa provar que tem técnicas de produção higiênicas e entregar para a ONG alimentos bem cuidados e armazenados. "Não pegamos nada que esteja no chão", conta Luciana. Já os beneficiados se comprometem a participar de workshops e a abrir a entidade para estagiários de nutrição.
Esses workshops, inclusive, fazem parte de uma outra frente de trabalho do Banco de Alimentos, que é educar comunidades carentes. A coordenadora operacional e nutricionista Isabel Marçal, junto com uma equipe de nutricionistas, ensina como armazenar e aproveitar os alimentos, receitas, técnicas de nutrição e realiza um trabalho de saúde pública e censo antropométrico (mapeamento de medidas dos biotipos presentes nos lares carentes).
Segundo Luciana, não basta trabalhar apenas com quem passa necessidade. "A gente também tenta levar uma consciência para o Brasil rico. Para isso, fazemos palestras em escolas particulares e mostramos a realidade de outras pessoas", diz a economista. O objetivo é deixar crianças e jovens de famílias com boas condições com a pulga atrás da orelha. "Falta o questionamento das pessoas, e pra isso você não pode ser preguiçoso. Você precisa saber o que está acontecendo no mundo e estar disposto a fazer sua parte", comenta Luciana.
A partir de julho, o Banco de Alimentos começa a dar cursos e palestras na nova sede, cedida em comodato por três anos por um parceiro da ONG. Na casa vão funcionar uma cozinha experimental, um auditório e um laboratório de ciências. Com esse projeto, Luciana pretende conseguir mais capital para expandir a assistência e poder atender as 110 entidades carentes que ainda estão na fila de espera para receber os alimentos coletados pela ONG.
http://revistagalileu.globo.com
http://editoraglobo.globo.com/especiais/2006/generosidade/entenda.html

*
~~~~~~ JARDIM ~~~~~~
*
No anoitecer das tarefas
No sossegar das pressas
No fechar dos ferrolhos
O jardim, pequeno oásis
Tela de verdes e lilases
*
Festa de cor e aromas
Pequeno metro quadrado
Entrenós de rizomas
Formosa teia de brotos
Crescendo lado a lado
*
Onde tudo se encadeia
Antúrios, gerâneos,
Rosinhas, chefleras,
Samambaias e suas saias
Nobres tons da orquídea
Doce perfume da malva
A jibóia, pendente
O alecrim, insistente
Tudo se incendeia
No olhar que ali passeia
*
Noite de texturas
Jardim das aventuras
Semi-sombras reveladas
Traçam ares de bonança
*
Executam a esperança
De espaços repartidos
*
Noite pura, enluarada,
Que germina sob a terra
Une as plantas em seus meios
Elimina os receios
Nos instantes de enlevo
*
E a clorofila pulsante
Irradia a cada instante
O grande milagre da vida
*
Nesta noite inacabada
Quero ser terra molhada
E nascer feito semente
*
Ser uma planta crescida
e depois de vicejar
Finalmente, ser colhida...
E nos seus olhos morar !
*
Vera Guidi