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É a continuidade de ARTE BRASILIS http://artebrasilis.blog.terra.com.br Uma REVISTA ELETRÔNICA de ARTE, CIÊNCIA, FILOSOFIA, EDUCAÇÃO e CULTURA DE PAZ. artebrasilis@hotmail.com - artebrasilis@bol.com.br

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Arquivo de: Abril 2008, 09

09.04.08

RETROSPECTIVA DA ESCRITA parte2

categorias: FIQUE LIGADO !

(...) continuação do post anterior

4 INTERNET E A VOLTA DA LÍNGUA ESCRITA



Com o fenômeno da Internet aumentou, e muito, o número de escritores. Quem sabe pelo fato de que a rede anima a escrever, pois nela é difícil falar. Hoje, no Brasil, mais de um milhão de pessoas estão ligadas à rede. Todos os dias milhares de novos brasileiros se conectam à Internet e essa comunidade, evidentemente, se comunica entre si. Por meio de e-mails, chats, ICQ, mIRC e outros programas de comunicação, milhares de pessoas, todos os dias, trocam mensagens, piadas, fofocas, receitas, confidências pessoais, etc., usando a língua escrita. Acredita-se que o número de escritores aumentou porque os programas de comunicação da Internet são inovadores, dispensam papel, envelope, selos e carteiro. No correio eletrônico, por exemplo, o usuário da rede organiza um catálogo de endereços eletrônicos e, ao escrever ou receber uma mensagem que considere que deva ser compartilhada por todos, simplesmente clica em um botão que (re)envia a mesma mensagem para todos os constantes do seu catálogo. Esta função dos programas de correio eletrônico é importante porque faz a mensagem disseminar-se exponencialmente, atingindo milhares, quiçá milhões de pessoas em algumas horas ou dias. Que narrador poderoso! Tão poderoso que vê sua mensagem multiplicada praticamente a um número não pronunciável de leitores, tantos podem ser eles.

Na realidade, o correio eletrônico é um grande diálogo e as mensagens são bastante informais; ainda assim, há níveis de formalidade: do "outro lado" pode estar um colega, mas também um advogado, um reitor.... Entretanto, grande parte da comunicação via Internet não deixa de ser mais uma maneira de se bater um papo escrevendo um texto, principalmente nas mensagens trocadas em “tempo real”, como nos “bate-papos”. Esta “conversa” entre duas ou mais pessoas exige uma certa velocidade, fazendo com que os interlocutores usem uma linguagem informal, a qual se aproxima muito da língua falada do cotidiano. Conforme Grespan, o internauta foge das normas rígidas da língua escrita, já que não tem tempo para redigir seu texto e fazer um planejamento prévio do seu discurso. Deste modo, muitas vezes cria abreviações, símbolos e sinais que tornam mais rápida a comunicação. (Grespan, 1999)

Por mais que a Internet tenha aproximado a linguagem escrita da linguagem oral, às vezes as palavras não conseguem traduzir as expressões e sentimentos; para isso foram criados os Emoticons, também chamados de Smiler ou “carinhas”, que são símbolos usados para representar as emoções que normalmente se encontram na comunicação verbal. Por exemplo, para um usuário indicar que o “inadequado” comentário que acaba de fazer foi uma brincadeira, cujo objetivo é divertir e não ofender. O uso dos Emoticons começou como um jogo entre programadores, mas já é uma linguagem comum a todos os navegantes. Alguns são inteligentes, outros divertidos; alguns, quem sabe, rebuscados. Para entendê-los, necessita-se virar a cabeça 90 graus para a esquerda. Observe o quadro a seguir.

Na Internet, a escrita voltou a ser usada com mais freqüência pela proximidade com a língua oral e pela incrível possibilidade de se comunicar com pessoas do mundo inteiro por um meio de comunicação prático e barato. Entretanto, ainda assim existem muitas pessoas que têm dificuldade de passar um e-mail e preferem falar ao telefone, mesmo pagando mais caro, por não conseguirem escrever o que estão pensando ou por terem preguiça, já que falar é mais rápido e fácil do que escrever.

Há empresas que proibiram que seus funcionários se comunicassem usando e-mails, porque muita gente não estava acostumada a escrever antes do surgimento da Internet, e por isso surgiram muitos mal-entendidos, já que a escrita não tem todos os recursos da linguagem oral, não sendo possível ver a expressão do interlocutor, seus gestos e ouvir sua voz. Uma frase pode parecer amena quando falada e extremamente pesada quando escrita. Segundo Fischer, numa entrevista dada a Eduardo Salgado, para a revista Veja, algumas empresas estão ensinando seus funcionários a escrever em e-mails, pois isso passou a ser uma necessidade (Fischer, 2000).

Quadro 1 –Lista de emoticons:

&:-) Pessoa com o cabelo enrolado

X-) Com vergonha ou tímido

:-) sorriso / estou feliz / brincadeira

B-) Estou feliz e de óculos

:-( Triste ou com raiva

:-)))) Estou gargalhando

<:-) Você fez perguntas bobas

(:-... Mensagem de partir o coração

(:-O Assustado de chapéu

:-/ Estou perplexa

:-0 Estou impressionada

:-P Dando língua

d:-) De boné

d:-P De boné, dando língua

(:-( Estou muito triste

:-D Rindo

|-( de madrugada

:-o Oh, não!!

[]'s (abraços)

:-|| zangado

(:-) careca

B-) Batman

:-)> barbudo

%+( espancado

?-) olho roxo

:-)X gravata borboleta

R-) óculos quebrados

:^) nariz quebrado

|:-) sobrancelhas espessas

<|-) chinês

3:-) vaca / corno

:-t mal-humorado

X-) estrábico

:'-( chorando

i-) detetive

:-e desapontado

:-)' babando

{;V pato

<:-) pergunta estúpida

5:-) Elvis

>:-) sorriso malicioso, maldoso

:'''-( inundação de lágrimas

/:-) francês

8-) usuário de óculos

8:) gorila

:-7 sorriso irônico

I-O bocejando


@}-- enviando uma rosa para alguém :-') resfriado (1)

:*) resfriado (2)

:-| hmmmph!

:-C queixo caído

:-# beijo (1)

:-* beijo (2)

:-X beijo (3)

(:-x Mandando beijo

:+) nariz grande

:-D gargalhando

:-} olhando maliciosamente para alguém

(-: canhoto

:-9 lambendo os lábios

:-| macaco

:-{ bigode (1)

:-#) bigode (2)

(-) precisando de um corte de cabelo

:^) nariz deslocado

:8) porco

:-? Fumante de cachimbo

=:-) punk

:-" lábios franzidos

|-] Robocop

O:-) santo

:-@ gritando

:-O chocado

:-V berro

|-) dormindo

:-i fumante (1)

:-Q fumante (2)

:-j fumante sorrindo

:-6 gosto azedo da boca

:-V falando

*-) drogado

:-T lábios selados

:-p língua na bochecha, brincadeira

:-/ indeciso

:-[ vampiro (1)

:-|< vampiro (2)

:-)= vampiro (3)

:-)) muito feliz

:-(( muito triste

:-c muito infeliz

Cl:-) usando chapéu coco

[:-) usando headfones

:-(#) usando aparelho dentário

;-) piscando


Fonte: João França Lopes (1999)



Siga a leitura de outros itens do artigo e bibliografia indicada:

5 A ESCRITA VIRTUAL E A GLOBALIZAÇÃO
6 A ESCRITA, UMA EVOLUÇÃO PARA A HUMANIDADE

em: http://www3.unisul.br/paginas/ensino/pos/linguagem/0101/12.htm

 


http://www.prof2000.pt/users/jacarelas/img/escrita.jpg

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RETROSPECTIVA DA ESCRITA parte1

categorias: FIQUE LIGADO !

ESCRITA, UMA EVOLUÇÃO PARA A  HUMANIDADE

Leila Minatti Andrade
fonte: http://www3.unisul.br/paginas/ensino/pos/linguagem/0101/12.htm


Resumo:

Neste artigo, a autora procura fazer uma retrospectiva da escrita, mostrando sua evolução desde seu surgimento até os tempos atuais, quando a escrita é muito utilizada na Internet. Além disso, o artigo também mostra as influências na linguagem na era da globalização.



1 UM MUNDO SEM ESCRITA


Você já imaginou um mundo onde não existisse a escrita? Como você iria escrever um bilhete, uma carta, uma redação, uma dissertação ou uma tese? Não existiriam listas telefônicas, nem livros, nem revistas e muito menos jornais, ou, se existissem, seriam só com figuras, você já imaginou? Provavelmente não existiriam livrarias e bancas de revistas. Se existissem professores, as aulas seriam, normalmente, expositivas, e não se ouviriam as famosas frases: "Leiam tais textos para a próxima aula" ou "vocês precisam ler mais". Ah, e também não existiriam escritores, é óbvio. Histórias, romances, contos, poesias, só existiriam se fossem contadas de gerações para gerações. Nada seria documentado, sendo assim não teríamos Certidão de Nascimento e muito menos Carteira de Identidade e Atestado de Óbito. Pelo menos se poderia mentir a idade e não existiria a frase: "Não acredita? Pode olhar na minha identidade". Também não existiriam as expressões: "Seu texto parece uma colcha de retalhos", ou "O que você escreveu está fora do contexto". E também ninguém cometeria um "erro ortográfico".

Estes seriam alguns dos exemplos de como seria um mundo sem escrita. Hoje em dia parece inaceitável e incabível viver sem ela, mas em tempos remotos era assim. É claro que o contexto da época era totalmente diferente do de hoje; mesmo assim, foi por sentir uma extrema necessidade de representar graficamente nossas idéias, sentimentos, opiniões, nossa história e para nos comunicar com quem está distante, entre outras coisas, que surgiu a escrita.



2 BREVE HISTÓRIA DA ESCRITA 


A invenção da escrita aparece tardiamente com relação ao aparecimento da linguagem; ela apareceu depois da chamada "revolução neolítica", e sua história pode ser dividida em três fases: pictórica, ideográfica e alfabética - Sampson (1996). No entanto, não se pode seguir uma linha cronológica nesta divisão.

A fase pictórica corresponde aos desenhos ou pictogramas, os quais não estão associados a um som, mas à imagem daquilo que se quer representar. Consistem em representações bem simplificadas dos objetos da realidade. Aparecem em inscrições antigas, mas podem ser vistos de maneira mais elaborada na escrita asteca e, mais recentemente, nas histórias em quadrinhos.

A fase ideográfica é representada pelos ideogramas, que são símbolos gráficos que representam diretamente uma idéia, como, hoje em dia, certos sinais de trânsito. As escritas ideográficas mais importantes são a egípcia (também chamada de hieroglífica), a mesopotâmica (suméria), as escritas da região do mar Egeu (a cretense, por exemplo) e a chinesa (de onde provém a escrita japonesa).

A fase alfabética se caracteriza pelo uso de letras, as quais, embora tenham se originado nos ideogramas, perderam o valor ideográfico e assumiram uma nova função de escrita: a representação puramente fonográfica. O ideograma, por sua vez, perdeu seu valor pictórico e passou a ser simplesmente uma representação fonética. Segundo Sven Ohman (apud Kato, 1990, p. 16), a invenção da escrita alfabética é uma "descoberta", pois, quando o homem começou a usar um símbolo para cada som, ele apenas operou conscientemente com o seu conhecimento da organização fonológica de sua língua. Também com relação a isso é importante ressaltar o que afirma Vygotsky, a partir dos trabalhos que realizou com crianças: para aprender a escrever, a criança precisa fazer uma descoberta básica – a saber, que ela pode desenhar não apenas coisas, mas também a própria fala. (Vygotsky, 1991).

Hoje em dia praticamente todas as línguas possuem um alfabeto, e o modo mais comum de se escrever é da esquerda para a direita e de cima para baixo. Contudo, os chineses e os japoneses escrevem da direita para a esquerda e em colunas verticais. Os árabes escrevem da direita para a esquerda, mas não em colunas, e sim em linhas de cima para baixo.


3 ESCREVER E FALAR


Estamos tão acostumados a ler e a escrever em nossa vida diária que, às vezes, esquecemos que nem todos escrevem e lêem como nós. Em muitas famílias de classe social baixa, escrever pode se restringir a assinar o próprio nome ou, no máximo, a redigir listas de palavras ou recados curtos.

Antigamente a situação era ainda pior, somente a elite tinha acesso à educação e, conseqüentemente, à escrita. Quem necessitasse escrever uma carta, tinha que solicitar o trabalho dos escribas. A escrita, hoje, já atinge praticamente todas as classes, embora falte muito para que ela atinja toda a população.

Embora seja imenso o número de escritores, é ainda maior o número de leitores. Das pessoas que sabem escrever, a maioria pouco utiliza a escrita e, quando a utiliza, é para coisas elementares, como deixar bilhetes, mandar recados e escrever cartas. Muitos, depois da invenção do telefone, pararam até de escrever cartas, já que falar por telefone é mais prático e se tem uma resposta imediata, pois os interlocutores estão "voz a voz", e a elaboração e produção da fala ocorrem simultaneamente. Escrever é um ato solitário, leva mais tempo, exige, talvez, um pouco mais de concentração, e o escritor tem de se preocupar com o seu virtual leitor. Se não bastasse isso, a escrita é mais formal do que a fala. Outro motivo que faz com que as pessoas prefiram a fala à escrita é que um erro na oralidade não é tão perceptível quanto na escrita.

Talvez estes sejam alguns dos motivos por que as pessoas escrevam tão pouco. É difícil ver os alunos felizes quando o(a) professor(a) lhes pede que façam uma redação; pelo contrário, é sempre um momento de rechaço e dificuldade. O mesmo não ocorre quando o(a) professor(a) lhes pede para contar uma história ou para ler um texto. Ler e falar são mais cômodos que escrever, já que não exigem tanto conhecimento sintático, morfológico e ortográfico quanto a escrita exige.

(...) continua no próximo post

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